“É tempo de dar a conhecer o meu diário a mais gente!”

O livro de Xavier Lopes é – em especial para os peregrinos a Santiago de Compostela – uma compilação de sabedoria revelada, mas que durante muitos anos esteve escondido do mundo. Os diários deste místico, citados em obras como “Entre o silêncio das pedras” de Luís Ferreira, nunca conheceram uma edição própria, porque os seus originais completos se julgavam perdidos. Finalmente, os manuscritos de Xavier Lopes chegaram a bom porto e prepara-se agora uma primeira edição. Através de mão amiga, chegamos à fala com este sábio do caminho, aqui pela primeira vez exposto ao público.

Xavier Lopes

Quem é Xavier Lopes? Por onde tem andado nestes últimos anos?

Caro amigo, nem eu sei quem sou. Depois de me sentir aglutinado pelo destino, preso em mim mesmo, de alma vazia, decidi abraçar o mundo. Pois não há outra forma de existir, do que a procurar a verdadeira identidade. Por isso parti e tenho andado por ai, por aqui… Tantas são as vezes em que vagueio sem destino certo, perfeito andarilho de um caminho pintado com as cores do arco-íris. Libertei-me do tempo e de tudo que me prendia ao passado e com as mãos cheias de nada, transporto apenas um sorriso tímido e ganhei asas para partir livremente, até onde os meus passos me guiarem. 

O livro de Xavier Lopes, que se julgava perdido para sempre, foi finalmente reencontrado. Afinal, o que o compõe?

Estará a falar do meu diário, dos meus manuscritos? Quando parti de casa, há muito tempo, decidi ir até Santiago de Compostela. Ao longo do caminho, fui escrevendo o que via, o que lia, o que ouvia… frases soltas, pensamentos, reflexões que deixei anotadas no meu velho caderno. Uma das coisas que aprendi nessa jornada, foi a partilha. Quando contribuímos para a felicidade de alguém, somos nós os felizes. Um dia decidi entregar o meu caderno a outro peregrino, porque ele precisava de fazer uma viagem ao interior da sua alma. Tantas vezes, precisamos apenas que nos ajudem a dar o primeiro passo. Confesso que perdi o rasto desse meu diário… até que um dia o descobri num albergue, gasto pelo uso, mas encadernado em couro castanho. Soube mais tarde, doado por um peregrino de nome Pedro Marques. Voltei a agarrar neste meu velho companheiro de viagem, que o destino fez regressar às minhas mãos, mas… se as minhas palavras e apontamentos tiveram o dom de ajudar alguém, então devem continuar a sua missão. Existe sempre uma história para lá da própria história…

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