“Preciso estar junto dos leitores que estão próximos do meu livro”

“O Peregrino” do escritor Luís Ferreira é um dos sucessos editoriais deste Natal. Publicado pela Capital Books, é o retorno deste autor ao Caminho de Santiago.

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“O Peregrino” está a ser um sucesso editorial. A que atribuis isso?

O sucesso de qualquer livro deve-se ao leitor, é quem lê e quem compra que o divulga. Este livro, como qualquer um, depende disso, de leitores que gostem daquilo que escrevemos e que tornem depois as nossas palavras num livro de sucesso. Só tenho de agradecer a todos aqueles que já têm o livro, que o procuram e que constroem o seu percurso, os resultados são consequência de tudo isto. Não basta desejar sucesso a uma obra, porque nada acontece sem a intervenção direta de todos os agentes. De quem escreve, de quem publica e o mais importante, de quem lê.

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“Este livro é uma obra que de certeza irá contagiar o leitor”

“O peregrino” é o novo romance de Luís Ferreira, com lançamento agendado para o próximo dia 5 de novembro. Fomos conhecer os contornos deste título, que marca o regresso do escritor, conhecido pela sua paixão pelo Caminho de Santiago, à ficção.

Luís Ferreira

Depois de “Entre o silêncio das pedras” estiveste três anos sem publicar nenhum novo romance. Porquê este silêncio?

Desde o “Entre o silêncio das pedras” e este novo romance existiram dois livros, “Olhares de um peregrino no Caminho de Santiago” e o “Diário do Xavier Lopes”, mas na verdade não existiu nenhum trabalho de fundo. A envolvência do “Entre o silêncio das pedras” levou a muitas apresentações e isso obrigou a desviar o tempo e o foco para a disponibilidade de um novo projecto e quase que fiquei refém de um livro, tudo girava em torno daquele. Por outro lado, tentei concentrar-me na escrita e fiz diversas tentativas para iniciar algo, mas nada correspondia ao que desejava e me preenchesse como autor. Talvez tenha vivido a falta de inspiração para escrever algo novo. De facto tornou-se a maior travessia do deserto que alguma vez tive, mas provocada por uma luta em querer fazer vingar a obra referida, contra muitas barreiras e sentindo muitas decepções. No entanto, um livro é aquilo que o leitor quer e eu como autor sou também o reflexo disso. É muito tempo investido e trabalho despendido para depois o mercado estabelecer outras regras. Mas é algo que já está ultrapassado.

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Luís Ferreira apresenta “Diário de Xavier Lopes” no próximo sábado

Luís Ferreira apresenta o seu novo livro – “Diário de Xavier Lopes” – este sábado, 31 de outubro, às 17h00, na biblioteca de Alcochete. O evento contará com um pequeno espetáculo de gaita de foles e violino, antecedendo a apresentação do novo título, que será feita pelo editor, o presidente da Câmara de Alcochete e o autor. “Diário de Xavier Lopes” é publicado pela Capital Books e compila as meditações deste misterioso peregrino do caminho de Santiago de Compostela. As primeiras referências ao seu manuscrito aparecem em “Entre o silêncio das pedras”, romance também assinado por Luís Ferreira. O autor transformou esta lenda num novo título, onde revela pela primeira vez ao mundo, os pensamentos e reflexões deste místico Xavier Lopes.

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Luís Ferreira lança novo livro após peregrinação a Santiago

Luís Ferreira

Luís Ferreira, autor de “Entre o silêncio das pedras”, acaba de percorrer os 343 quilómetros que compõem o itinerário primitivo do caminho de Santiago. Esta peregrinação redobrou-lhe o alento para avançar para um novo livro. Explica o autor que “qualquer caminho que percorro é sempre um momento onde surgem novas ideias, projetos e inspiração. E neste momento, a minha prioridade é dar a conhecer o diário do Xavier Lopes, obra que foi pedida pelos leitores após a publicação do meu último livro”. Luis Ferreira adianta ainda que o “Diário de Xavier Lopes” será lançado no próximo dia 31 de outubro, às 17h00, na biblioteca municipal de Alcochete, “numa cerimónia de lançamento à imagem do que costumo fazer e onde conto com a presença de todos os meus amigos e leitores”. Sobre a peregrinação que acaba de terminar, o autor diz ainda que “qualquer peregrinação que faço é sempre uma enorme descoberta interior e exterior. Esta foi pelo caminho primitivo, a rota de peregrinação utilizada pelos primeiros devotos do nascente reino asturiano. Trata-se do primeiro itinerário jacobeu e daí a sua atual denominação. A rota foi seguida possivelmente pelo rei Afonso II, o Casto, desde a capital do reino Ástur, em Oviedo, até o túmulo de Santiago, no primeiro terço de século IX. Esta lindíssima rota marcou-me imenso e não poderia estar mais feliz e rejuvenescido após tantos quilómetros percorridos”.

Diário de Xavier Lopes

“É tempo de dar a conhecer o meu diário a mais gente!”

O livro de Xavier Lopes é – em especial para os peregrinos a Santiago de Compostela – uma compilação de sabedoria revelada, mas que durante muitos anos esteve escondido do mundo. Os diários deste místico, citados em obras como “Entre o silêncio das pedras” de Luís Ferreira, nunca conheceram uma edição própria, porque os seus originais completos se julgavam perdidos. Finalmente, os manuscritos de Xavier Lopes chegaram a bom porto e prepara-se agora uma primeira edição. Através de mão amiga, chegamos à fala com este sábio do caminho, aqui pela primeira vez exposto ao público.

Xavier Lopes

Quem é Xavier Lopes? Por onde tem andado nestes últimos anos?

Caro amigo, nem eu sei quem sou. Depois de me sentir aglutinado pelo destino, preso em mim mesmo, de alma vazia, decidi abraçar o mundo. Pois não há outra forma de existir, do que a procurar a verdadeira identidade. Por isso parti e tenho andado por ai, por aqui… Tantas são as vezes em que vagueio sem destino certo, perfeito andarilho de um caminho pintado com as cores do arco-íris. Libertei-me do tempo e de tudo que me prendia ao passado e com as mãos cheias de nada, transporto apenas um sorriso tímido e ganhei asas para partir livremente, até onde os meus passos me guiarem. 

O livro de Xavier Lopes, que se julgava perdido para sempre, foi finalmente reencontrado. Afinal, o que o compõe?

Estará a falar do meu diário, dos meus manuscritos? Quando parti de casa, há muito tempo, decidi ir até Santiago de Compostela. Ao longo do caminho, fui escrevendo o que via, o que lia, o que ouvia… frases soltas, pensamentos, reflexões que deixei anotadas no meu velho caderno. Uma das coisas que aprendi nessa jornada, foi a partilha. Quando contribuímos para a felicidade de alguém, somos nós os felizes. Um dia decidi entregar o meu caderno a outro peregrino, porque ele precisava de fazer uma viagem ao interior da sua alma. Tantas vezes, precisamos apenas que nos ajudem a dar o primeiro passo. Confesso que perdi o rasto desse meu diário… até que um dia o descobri num albergue, gasto pelo uso, mas encadernado em couro castanho. Soube mais tarde, doado por um peregrino de nome Pedro Marques. Voltei a agarrar neste meu velho companheiro de viagem, que o destino fez regressar às minhas mãos, mas… se as minhas palavras e apontamentos tiveram o dom de ajudar alguém, então devem continuar a sua missão. Existe sempre uma história para lá da própria história…

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“O sucesso de uma obra depende daquilo que o público quiser”

Luís Ferreira destacou-se com “Entre o silêncio das pedras”, um romance que decorre ao longo de uma peregrinação, física e emocional, de duas personagens pelo caminho de Santiago. O livro foi reeditado pela Capital Books no começo de 2015 e quisemos saber mais sobre o autor – ele próprio um peregrino – e as novidades que agora prepara.

Luis Ferreira

És um autor que fez o caminho de Santiago ou um peregrino que escreveu um livro?

Boa questão! Se tiver presente que antes de fazer o caminho de Santiago, já escrevia e publicava livros, poderei dizer que sou um autor que fez o caminho. Mas depois de fazer o caminho, apaixonei-me tanto pelo mesmo, que foi um peregrino que escreveu este livro. Já agora, poderei dizer que apenas quem sente verdadeiramente o caminho poderia, penso eu, dar a profundidade necessária ao “Entre o silêncio das pedras”.

Este livro já mereceu uma segunda edição e foi também publicado no Brasil. Mais planos para a internacionalização da tua carreira?

Penso que ainda há um grande processo a realizar em Portugal, apesar do mercado português ser muito difícil e competitivo, principalmente para novos autores. E porque também acredito que ainda tenho um largo caminho a percorrer em Portugal, não penso muito na internacionalização da minha carreira. No entanto, noto os sinais que chegam e a procura cada vez maior que a minha escrita tem no estrangeiro, nomeadamente em países da América Latina e na vizinha Espanha. Não estando cego a esses sinais, acredito que estão abertas as portas para que “Entre o silêncio das pedras” possa ser traduzido para castelhano, face à elevada procura que todos os dias me chega.

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