“Qualquer autor coloca sempre algo de seu nas obras que cria”

Cristina Das Neves Aleixo publicou o seu primeiro livro – “Joaninha e o jardim encantado” – em maio, pela Capital Books. Prepara agora algo muito diferente, que estará nas livrarias nos próximos meses. Mas há um fio condutor entre as duas obras: reflexos autobiográficos de uma autora cujo apelido guarda um pequeno segredo.

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O que fez a Cristina publicar este primeiro livro?

Sempre imaginei dar a conhecer aquilo que escrevia. O meu maior sonho era ser escritora. Escrever é fundamental para me sentir bem e completa, apesar de profissionalmente ter abraçado áreas que nada tinham que ver com a escrita. Quando decidi que era hora de dar a conhecer aos outros esta minha faceta, fiz questão de o fazer com a estória da Joaninha, porque aborda questões que me são muito próximas. Sou mãe e preocupo-me com os valores que os pais passam às crianças. Além disso, o meu filho tem um problema de saúde complicado, o que fez com que vivesse com ele situações de grande desespero e que também nos levaram a cruzar com dezenas de outras crianças em condições também muito difíceis. Esse conjunto de razões foi o que me levou a iniciar este percurso com este conto, que estava há vários anos escrito para o meu filho, como forma de o homenagear. Dediquei-lhe este livro.

Este livro é uma espécie de autobiografia discreta?

Não lhe posso chamar autobiografia, mesmo que discreta. No entanto, há pontos em comum entre o que vivemos e esta estória. Revejo-me na Joaninha, na sua força interior e na paixão com que defende o que acredita ser justo, quando fala com o Carlinhos. Vejo um pouco do meu filho no Carlinhos, pois esta personagem tem também um problema de saúde, apesar do meu filho não ter nenhum problema nas pernas, nem se deslocar numa cadeira de rodas. Mas a ficção e a realidade fundem-se na forma como, personagem e pessoa, vêem o mundo e a si próprios. Qualquer autor coloca sempre algo de seu, por pouco que seja, nas obras que cria.

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