“O meu objetivo é passar uma mensagem positiva sobre a luz que cada um carrega dentro de si”

Joana Ribeiro Correia escreveu “Quando for grande quero ser psicóloga”, livro infantil que explica aos mais pequenos o sentido desta profissão. Ilustrado pela sobrinha da autora, este título rapidamente se transformou num sucesso da Pastel de Nata Edições.

joana ribeiro

O que te levou a escrever este livro?

Sou psicóloga clínica, com um fascínio especial por trabalhar com crianças. Escrever este livro foi a realização de um sonho antigo e explicar o que é a minha profissão às crianças. O facto de ter uma sobrinha com oito anos, a Gabriela, também foi um grande passo porque assim consegui vários insights para chegar até este livro. Esta pequenina consegue alertar-me para pequenas situações do dia-a-dia que têm tanta importância para um futuro próximo. Passamos muitas horas na conversa, brincamos muito e assim fui reunindo um conjunto de ideias até chegar a este livro! Consegui escrevê-lo juntando o facto de explicar o que faz um psicólogo e associar o papel da psicóloga a uma situação concreta comum no dia-a-dia de cada criança: a competitividade nas escolas, bondade e amizade, valores éticos e morais. Como cereja no topo do bolo consegui que a Gabriela fizesse todas as ilustrações, o que me deixou escandalosamente feliz ao ver a minha história nos desenhos da minha sobrinha. E no fim de colocar toda a história no computador contei com o apoio de amigos que me deram dicas e sugestões importantes.

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O livro que adormece as crianças (ainda antes de chegarem ao fim)

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“O coelho que queria muito adormecer”, do psicólogo sueco Carl-Johan Forssen Ehriln, ajuda as crianças a adormecerem rapidamente e lidera o top de vendas da Amazon do Reino Unido. Traduzido em sete línguas (incluindo português), esta obra utiliza técnicas psicológicas apropriadas para que as crianças adormeçam ainda antes de a história terminar. O livro tem 26 páginas e inclui instruções de leitura, aconselhando aos pais a bocejar frequentemente, a enfatizar certas palavras e a ler com voz calma, proporcionando uma experiência tranquilizante no momento de adormecer os miúdos. Embora contenha ilustrações, o livro foi concebido para ser lido pelos pais e apenas ouvido pelos filhos.

“Escrever é trazer ao de cima a criança que há em mim”

Helena M. publicou o primeiro livro – “No reino encantado da amizade” – em 2014, pela Capital Books e tem-se desdobrado em apresentações junto dos miúdos. Enquanto prepara um novo título, conversamos com esta autora, que faz das histórias infantis a sua praia. Até ao dia em que se atrever a escrever também para os mais crescidos.

Helena M.

Escrever para crianças é mais fácil ou mais difícil do que escrever para adultos?

Sou suspeita para falar, mas acho mais fácil para crianças. Porque, pelo menos eu, ao escrever para adultos, tenho que colocar no papel sentimentos muito meus, mesmo que a história seja ficção. E talvez isso seja um pouco desgastante. E para crianças não, é só trazer ao de cima a criança que há em mim, que só quer brincar e ser feliz, sem angústias e sem medos! E deixar a imaginação fazer o resto.

Como é que os miúdos reagem quando te ouvem a contar as tuas histórias?

Enchem-me de perguntas! Mas é muito engraçado! “Porque é que a borboleta tem um chapéu? Porque é que a lagarta vive numa maçã?” Gosto muito de responder e puxar pela imaginação deles.

Como é o teu processo de escrita?

Escrevo sempre primeiro à mão. Não consigo deixar este hábito, sou da velha guarda. Só quando está pronto, é que passo para computador. Começo por muitos, muitos rascunhos. Primeiro, estabeleço as personagens e os seus nomes e a partir daí vou desenrolando a história. Mas as primeiras folhas são sempre muito riscadas, porque acontece-me muita vez pensar que ía seguir numa direção e depois, conforme vou escrevendo, novas ideias vão surgindo e quando na minha humilde opinião são melhores, volto atrás, risco, retifico e começo de novo.

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“Qualquer autor coloca sempre algo de seu nas obras que cria”

Cristina Das Neves Aleixo publicou o seu primeiro livro – “Joaninha e o jardim encantado” – em maio, pela Capital Books. Prepara agora algo muito diferente, que estará nas livrarias nos próximos meses. Mas há um fio condutor entre as duas obras: reflexos autobiográficos de uma autora cujo apelido guarda um pequeno segredo.

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O que fez a Cristina publicar este primeiro livro?

Sempre imaginei dar a conhecer aquilo que escrevia. O meu maior sonho era ser escritora. Escrever é fundamental para me sentir bem e completa, apesar de profissionalmente ter abraçado áreas que nada tinham que ver com a escrita. Quando decidi que era hora de dar a conhecer aos outros esta minha faceta, fiz questão de o fazer com a estória da Joaninha, porque aborda questões que me são muito próximas. Sou mãe e preocupo-me com os valores que os pais passam às crianças. Além disso, o meu filho tem um problema de saúde complicado, o que fez com que vivesse com ele situações de grande desespero e que também nos levaram a cruzar com dezenas de outras crianças em condições também muito difíceis. Esse conjunto de razões foi o que me levou a iniciar este percurso com este conto, que estava há vários anos escrito para o meu filho, como forma de o homenagear. Dediquei-lhe este livro.

Este livro é uma espécie de autobiografia discreta?

Não lhe posso chamar autobiografia, mesmo que discreta. No entanto, há pontos em comum entre o que vivemos e esta estória. Revejo-me na Joaninha, na sua força interior e na paixão com que defende o que acredita ser justo, quando fala com o Carlinhos. Vejo um pouco do meu filho no Carlinhos, pois esta personagem tem também um problema de saúde, apesar do meu filho não ter nenhum problema nas pernas, nem se deslocar numa cadeira de rodas. Mas a ficção e a realidade fundem-se na forma como, personagem e pessoa, vêem o mundo e a si próprios. Qualquer autor coloca sempre algo de seu, por pouco que seja, nas obras que cria.

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