“Utilizei emoções da minha vida para escrever este romance”

Adelaide Miranda estreia-se na ficção este novembro, com o romance “Reflexos da Lua”, uma surpreendente história sobre um amor proibido, publicada pela Capital Books. Mas a autora angolana tem outra surpresa na manga, pois também vai publicar o “Guia prático da carapinha”, um manual direcionado a todas as mulheres africanas.

Adelaide Miranda

Como começou o seu interesse pela escrita? Já vem de há muito tempo?

Comecei por escrever poemas soltos nos cadernos da escola, até que no 10 ano ou 11 ano, a minha colega Helena Antunes ofereceu-me um livro em branco. Foi um presente de aniversário que me marcou muito. Ela disse-me que assim já não corria o risco de perder as minhas poesias. E a partir daí comecei a escrever com mais frequência. As minhas dúvidas, os meus conflitos, as minhas paixões… Desabafava com as folhas em branco. E quando fui apresentada à poesia de Florbela Espanca, identifiquei-me tanto com ela que nunca mais parei de escrever.

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“Gosto de ler de tudo, mas identifico-me com Stephen King”

António Parada iniciou a sua carreira literária em 2014, com o título “A Guardiã”, uma história de ficção científica que decorre em Portugal. Já este ano, lançou “Adão e Eva”, um romance ao melhor estilo do mestre Stephen King. Enquanto prepara o seu novo livro, desta vez com um ambiente épico, fomos conhecer melhor este autor de Sesimbra.

António Parada

Como define o seu livro “Adão e Eva”? Um livro policial, fantástico, de terror, erótico ou outra coisa qualquer?

No fundo, é um pouco disso tudo! Podemos traduzi-lo como uma narrativa algo híbrida, mas que resulta muito bem no seu conjunto, tendo como pano de fundo, em destaque, o mistério e o insólito.

A narrativa deste título decorre na serra do Gerês, porque escolheu este cenário?

O Gerês é fantástico e mágico. Com facilidade, conseguimos imaginar um enredo literário fantasioso a desenrolar-se nesse espaço verdejante e polvilhado de recantos sombrios. Agora essas histórias fantasiosas tanto podem dar azo a narrativas de encantar, verdadeiros contos de fadas ou, pelo contrário, histórias mais insólitas, onde o suspense, o erotismo e o macabro se impõem…

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“Quero sentir-me capaz de escrever qualquer coisa”

Raul Minh’alma é o pseudónimo de Pedro Miguel Queirós, um jovem de 23 anos de Marco de Canaveses, com três títulos já publicados. Alternando entre a poesia, ficção, teatro e pequenos textos, o autor tem experimentado vários estilos literários. Mas o romance parece levar a melhor e Raul Minh’alma prepara já uma próxima história.

Raul Minh'alma

Quem é o Raul Minh’alma? Quer contar-nos um pouco da sua história?

Raul Minh’alma é um sonhador realista e um amante fiel ao amor, um amor terreno, imperfeito, pois esse é o único amor verdadeiro e real. Tento sempre passar um pouco ao lado de quem sou e do que fui. Afasto-me, quando escrevo, da minha história e deixo apenas os sentimentos que ela me trouxe. Nunca tive nada dado, sempre tive que trabalhar muito para conseguir pouco. Sempre fui obrigado a crescer sozinho e a crescer mais depressa. Perdi o meu pai com 12 anos e aos 16 andava a trabalhar na construção civil. Uma infância dividida entre a escola e os campos, sem mesadas nem lanches preparados pela mamã. Tive de aprender e crescer muitas vezes sozinho, por minha cabeça, se queria ser alguém. Ainda não sou, mas trabalho para ser. Venho de uma família humilde e isso tornou-me mais preparado para realidade. Hoje sinto-me capaz de ver o mundo e a vida com um ângulo mais alargado.

Mas Raul Minh’alma é um pseudónimo… ou é mais do que isso?

É mais do que isso. Tem muito de heterónimo nesse nome. O Raul trabalha para ser a versão perfeita do Pedro e depois transformar o Pedro, arrastá-lo até si e absorvê-lo. Um processo que leva tempo, muito tempo, mas que ambos anseiam concretizar-se. No entanto os dois complementam-se: o Pedro é mais pensador e o Raul mais sentimental. É uma simbiose interessante. 

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“Se é para dar asas à imaginação, contem comigo”

Madalena Condado publicou, em maio, “Yggdrasil”. O primeiro volume da saga “Profecia do sangue” tem como heroína Maria, uma jovem portuguesa, mas a ação decorre maioritariamente na Irlanda. As aventuras do clã MacCumhaill incluem ação, mistério, romance e muita fantasia, incluindo dragões, poções e magia. Enquanto se prepara a publicação do segundo volume desta saga, fomos conversar com a autora.

Madalena Condado
A Madalena publicou recentemente o seu primeiro livro. Onde andou antes?

Por todo o lado, fiz um pouco de tudo, tentando encontrar o meu lugar, mas nunca me senti tão completa como quando escrevo. Desde sempre que adoro contar estórias, passá-las para o papel foi o passo seguinte. Este ano foi finalmente o início desta nova fase da minha vida, da minha nova era. Incentivada por umas amigas, ganhei finalmente a coragem que me faltava e, além de ter publicado o meu primeiro romance, ainda tive a possibilidade de escrever um texto e um poema, que foram também publicados. Sinto que todas as minhas experiências anteriores foram uma preparação para a chegada deste dia, o dia em que publicaria e nada melhor do que o fazer com “Yggdrasil”. É caso para dizer que a árvore começou a dar os seus frutos.

“Yggdrasil” está repleto de fantasia, ação, romance, humor e até umas cenas picantes… A inspiração veio de que forma?

Toda a ficção tem a sua parte de realidade. Escrevo sempre sem saber que rumo vou tomar. Com Yggdrasil sucedeu exatamente desse modo. Estava a ver umas fotografias da minha última viagem a Dublin e a Glendalough, enquanto ouvia rádio. Por coincidência, passaram naquela altura duas músicas seguidas em que ambos os títulos eram Demons, uma de um irlandês e a outra dos Imagine Dragons. Uma coisa levou à outra e algo me fez sentar ao computador. Já só consegui parar quando tinha “Yggdrasil” completo. Sinto que todas as minhas personagens são uma extensão de mim mesma, de tudo o que me rodeia, de todas as experiências por mim vividas, das pessoas que conheço, do que já fiz ou até mesmo do que ainda gostaria de fazer. Em relação aos momentos mais quentes do livro, esses deixo ao leitor pensar de onde possam ter surgido. Fica a promessa de que as coisas ainda irão aquecer muito mais, em todos os aspectos. Se é para dar asas à imaginação, contem comigo.

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