“Escrevo para me sentir viva”

Paula Duarte é a autora de dois romances, o último deles – “Sem pecado” – publicado pela Capital Books, no final de 2014. É uma história forte, que expõe a chaga da prostituição e subverte convenções sociais: as personagens de boas famílias são as perversas e as personagens de origens humildes são as generosas e de bom fundo…

paula duarte

Quem é a mulher que se esconde por detrás da autora?

Nada se esconde por detrás da Paula Duarte, apenas se omitem dois nomes que completam os quatro com que nasci. Sou tal e qual como escrevo: simples, direta, objetiva quando a situação o exige e observadora de personagens, que ganham depois vida nos meus romances. E humana, quando o sentimento se escreve em poesia.

De onde é que vem essa necessidade tão grande de escrever?

Não vem de lado nenhum, nasceu comigo. O papel sempre foi um fiel amigo. Nunca tive diários cheios de corações e cores, mas desde muito nova que tenho cadernos baratos, onde me sinto bem quando despejo lágrimas, sorrisos, raiva e sempre muitas letras que correm no meu sangue. É essa a necessidade que sinto, não congelar as minhas veias. Tenho necessidade de escrever para me sentir viva. Nunca deixo algo a meio e, enquanto houver um livro para acabar, tenho uma razão para viver.

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“Escrever é trazer ao de cima a criança que há em mim”

Helena M. publicou o primeiro livro – “No reino encantado da amizade” – em 2014, pela Capital Books e tem-se desdobrado em apresentações junto dos miúdos. Enquanto prepara um novo título, conversamos com esta autora, que faz das histórias infantis a sua praia. Até ao dia em que se atrever a escrever também para os mais crescidos.

Helena M.

Escrever para crianças é mais fácil ou mais difícil do que escrever para adultos?

Sou suspeita para falar, mas acho mais fácil para crianças. Porque, pelo menos eu, ao escrever para adultos, tenho que colocar no papel sentimentos muito meus, mesmo que a história seja ficção. E talvez isso seja um pouco desgastante. E para crianças não, é só trazer ao de cima a criança que há em mim, que só quer brincar e ser feliz, sem angústias e sem medos! E deixar a imaginação fazer o resto.

Como é que os miúdos reagem quando te ouvem a contar as tuas histórias?

Enchem-me de perguntas! Mas é muito engraçado! “Porque é que a borboleta tem um chapéu? Porque é que a lagarta vive numa maçã?” Gosto muito de responder e puxar pela imaginação deles.

Como é o teu processo de escrita?

Escrevo sempre primeiro à mão. Não consigo deixar este hábito, sou da velha guarda. Só quando está pronto, é que passo para computador. Começo por muitos, muitos rascunhos. Primeiro, estabeleço as personagens e os seus nomes e a partir daí vou desenrolando a história. Mas as primeiras folhas são sempre muito riscadas, porque acontece-me muita vez pensar que ía seguir numa direção e depois, conforme vou escrevendo, novas ideias vão surgindo e quando na minha humilde opinião são melhores, volto atrás, risco, retifico e começo de novo.

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“O sucesso de uma obra depende daquilo que o público quiser”

Luís Ferreira destacou-se com “Entre o silêncio das pedras”, um romance que decorre ao longo de uma peregrinação, física e emocional, de duas personagens pelo caminho de Santiago. O livro foi reeditado pela Capital Books no começo de 2015 e quisemos saber mais sobre o autor – ele próprio um peregrino – e as novidades que agora prepara.

Luis Ferreira

És um autor que fez o caminho de Santiago ou um peregrino que escreveu um livro?

Boa questão! Se tiver presente que antes de fazer o caminho de Santiago, já escrevia e publicava livros, poderei dizer que sou um autor que fez o caminho. Mas depois de fazer o caminho, apaixonei-me tanto pelo mesmo, que foi um peregrino que escreveu este livro. Já agora, poderei dizer que apenas quem sente verdadeiramente o caminho poderia, penso eu, dar a profundidade necessária ao “Entre o silêncio das pedras”.

Este livro já mereceu uma segunda edição e foi também publicado no Brasil. Mais planos para a internacionalização da tua carreira?

Penso que ainda há um grande processo a realizar em Portugal, apesar do mercado português ser muito difícil e competitivo, principalmente para novos autores. E porque também acredito que ainda tenho um largo caminho a percorrer em Portugal, não penso muito na internacionalização da minha carreira. No entanto, noto os sinais que chegam e a procura cada vez maior que a minha escrita tem no estrangeiro, nomeadamente em países da América Latina e na vizinha Espanha. Não estando cego a esses sinais, acredito que estão abertas as portas para que “Entre o silêncio das pedras” possa ser traduzido para castelhano, face à elevada procura que todos os dias me chega.

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“Não sou lá muito de finais felizes, tendo a dramatizar tudo”

O Gonçalo S. Neves é um rapaz de 25 anos que mantém uma página no Facebook, onde publica uns textos pequeninos e um pouco misteriosos. Como juntou uma legião de milhares de fãs, quisemos matar a nossa curiosidade com umas perguntas atrevidas.

gonçalo neves

O Gonçalo é um bom rapaz, um pouco tímido até, ou é mais pelo contrário?

O Gonçalo é uma incógnita. É uma pessoa tímida e introspectiva. Precisa de tempo, de coragem e de conhecer bem o que o rodeia, para que se sinta à vontade. Fala pouco mais do que lhe perguntam e não tem grande iniciativa de conversa em grupo. Deve ser por isso que escreve.

Que andaste a fazer pela Polónia durante o último ano?

A Polónia surgiu em plano de Erasmus+, com o intuito de finalizar a minha licenciatura em Engenharia Biológica, a vida tem destas ironias. Foi um grande desafio: mudar-me para o coração da Europa, desconhecendo a cultura e a língua, completamente sozinho. Chegou a ser assustador. Mas no fundo, foi tudo isso que acabou por ser mais enriquecedor. Acabei por conhecer a história, as pessoas, a cultura e os hábitos. Hoje, a Polónia é como uma segunda pátria e as pessoas que conheci, como uma família. Ainda trouxe umas ideias para alguns textos. Inspiradora, é como defino a minha passagem pelas terras do holocausto.

O que te impulsionou para criares esta página no Facebook?

Comecei por partilhar o pouco que escrevia na minha página pessoal de Facebook, onde os comentários já eram bastante positivos. A página surgiu para que as minhas palavras se tornassem de maior alcance e chegassem a um número maior de pessoas, dos vários cantos do país e da lusofonia. A experiência tem sido autêntica e gratificante.

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Capital Books oferece ebook para comemorar aniversário

Capital Books

Para celebrar o seu primeiro aniversário, a Capital Books oferece agora a todos os leitores a versão eletrónica (ebook) do livro “Todos por Um” (clique no nome do livro para fazer o download e grave depois o ficheiro no seu computador, para uma leitura mais fácil). Este livro é uma coletânea de contos originais, cada um deles assinado por um dos autores que – ao longo dos últimos meses – foi publicando nesta editora. Descarregando este ebook, travará conhecimento com mais de uma dúzia de distintos autores. Pode também encomendar a versão em papel deste livro “Todos por Um”.

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O livro que Saramago enjeitou

José Saramago Terra do Pecado

“Terra do Pecado” foi o primeiro romance de José Saramago (1922-2010), publicado em 1947. Mas só com a publicação de “Levantado do chão”, em 1980, este escritor ganhou notoriedade e iniciou uma carreira que lhe concedeu prestígio internacional. Saramago rejeitou então a inclusão de “Terra do Pecado” na sua bibliografia oficial, argumentando que “escrevi o meu primeiro livro aos 25 anos. Chamava-se “A Viúva” e foi publicado pela Minerva, mas o editor sugeriu que se chamasse “Terra do Pecado”Não o incluo na minha bibliografia, apesar de os meus amigos insistirem que não é tão mau como eu teimo em dizer. Mas como o título não foi meu e detesto aquele título…”. Atualmente, um exemplar de “Terra do Pecado” atinge bons valores entre os bibliófilos!

“Qualquer autor coloca sempre algo de seu nas obras que cria”

Cristina Das Neves Aleixo publicou o seu primeiro livro – “Joaninha e o jardim encantado” – em maio, pela Capital Books. Prepara agora algo muito diferente, que estará nas livrarias nos próximos meses. Mas há um fio condutor entre as duas obras: reflexos autobiográficos de uma autora cujo apelido guarda um pequeno segredo.

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O que fez a Cristina publicar este primeiro livro?

Sempre imaginei dar a conhecer aquilo que escrevia. O meu maior sonho era ser escritora. Escrever é fundamental para me sentir bem e completa, apesar de profissionalmente ter abraçado áreas que nada tinham que ver com a escrita. Quando decidi que era hora de dar a conhecer aos outros esta minha faceta, fiz questão de o fazer com a estória da Joaninha, porque aborda questões que me são muito próximas. Sou mãe e preocupo-me com os valores que os pais passam às crianças. Além disso, o meu filho tem um problema de saúde complicado, o que fez com que vivesse com ele situações de grande desespero e que também nos levaram a cruzar com dezenas de outras crianças em condições também muito difíceis. Esse conjunto de razões foi o que me levou a iniciar este percurso com este conto, que estava há vários anos escrito para o meu filho, como forma de o homenagear. Dediquei-lhe este livro.

Este livro é uma espécie de autobiografia discreta?

Não lhe posso chamar autobiografia, mesmo que discreta. No entanto, há pontos em comum entre o que vivemos e esta estória. Revejo-me na Joaninha, na sua força interior e na paixão com que defende o que acredita ser justo, quando fala com o Carlinhos. Vejo um pouco do meu filho no Carlinhos, pois esta personagem tem também um problema de saúde, apesar do meu filho não ter nenhum problema nas pernas, nem se deslocar numa cadeira de rodas. Mas a ficção e a realidade fundem-se na forma como, personagem e pessoa, vêem o mundo e a si próprios. Qualquer autor coloca sempre algo de seu, por pouco que seja, nas obras que cria.

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“Todos por um” comemora primeiro ano da Capital Books

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Para celebrar o seu primeiro aniversário, a Capital Books convidou os autores que publicou ao longo dos últimos meses e cada um contribuiu com um conto inédito. “Todos por um” é um livro comemorativo, que reúne assim textos originais de Ana Cristina Pinto, Ana Isabel Lopes, Ana RibeiroCatarina Abreu, Cláudia Leal, Cristina Das Neves AleixoFilipe Vieira Branco, Helena M., José Vidas, Judite Carreira, Luis FerreiraMaria IsraelPaula DuartePedRodrigues e ainda do O escritor sem livro. Quinze autores para comemorar uma vintena de livros publicados pela Capital Books!

“Isto é o que eu sempre quis”

O Filipe Vieira Branco publicou o seu primeiro livro, “O dia em que nasci” pela Capital Books, em abril deste ano. Vive na pacata cidade de Torres Novas, mas abala para a Toscânia italiana, para fazer voluntariado, já no próximo mês de setembro. Fomos falar com ele para saber mais coisas sobre o que é isto de ser escritor aos 29 anos.

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Para quem nunca ouviu falar, quem é o Filipe Vieira Branco?

Sou um jovem autor que sonhou publicar um livro. Realizou-se. A par disso, sonho também em escrever guiões para cinema ou televisão. E sou apaixonado por ficção científica, fã de Star Wars e viciado nos comics da DC e Marvel. Estudei jornalismo, gosto de Saramago e de filosofia.  Em poucas linhas, acho que já mostrei que o Filipe é alguém com gostos muito versáteis. E nem falei de tudo.

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