“É uma história sobre a essência de uma verdadeira amizade”

Ana Ribeiro está de volta com “Ao teu lado”, um novo romance sobre dois amigos de infância, que se envolvem amorosamente. A jovem autora revela o que a levou a escrever este livro e reflete sobre os constrangimentos que cerceiam os novos autores.

Ana Ribeiro

“Ao teu lado” é o teu novo romance. De que trata este título?

Mais do que uma história de amor entre dois amigos de infância, é uma história de afetos e da essência de uma verdadeira amizade que se inicia na infância e se prolonga pela vida fora. Também aborda a temática da diferença, a forma como as diferenças entre as pessoas muitas vezes as podem unir para sempre ou interferirem com as relações que estabelecemos com os outros. E o bullying: na infância, Miguel vive num dilema. Se por um lado sente falta de ter amigos, por outro lado não quer fazer amigos por ter medo de ser gozado por ser pobre.

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“Os leitores aceitaram bem um romance que aborda o cancro”

Ana Ribeiro é a autora de “Um amor inexplicável”, um romance centrado à volta de duas jovens personagens que têm de enfrentar a doença oncológica enquanto constroem uma relação amorosa. Enquanto promove este título junto do público, esta autora prepara já o seu novo romance, que deverá ser publicado no início de 2017.

Ana Ribeiro

Depois do lançamento de “Um amor inexplicável” em outubro de 2015, que balanço fazes desta experiência?

Um balanço extremamente positivo, nunca tinha lançado nenhum livro da minha autoria numa loja Fnac, foi a primeira vez que isso se tornou realidade e foi uma ótima experiência levar o meu trabalho até uma das maiores cadeias de lojas a nível nacional. Poder levar o tema do cancro a mais pessoas e ver a boa aceitação que teve e tem tido. É uma experiência que vou querer repetir.

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Uma questão de escolhas

casal gay

A noite era negra, imperfeita e ácida, gelada como vidro fazendo parar os pensamentos. Naquela avenida infinita tudo estava parado no tempo, até a vida de André. Sentado no asfalto, encolhe-se e enrosca-se no casaco de malha que traz vestido para enganar o frio que lhe consome o corpo e a alma; parece ser a única coisa que lhe resta: não tem mais nada, nem um mero pedaço de pão. A fome, essa, já aperta há algum tempo; mas eles tiraram-lhe tudo, deixando-o sem nada: sem dinheiro, sem vontade de viver, sem alegria até a dignidade lhe roubaram. O direito a ser feliz, e a fazer as suas escolhas; o direito a um teto, a segurança e proteção; o direito a ter uma verdadeira família.

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Regresso adiado

amor

Há muito tempo que me tinhas pedido para recomeçarmos tudo de novo, mas eu continuava a dar-te uma resposta no silêncio: “talvez… quem sabe, um dia! Ou talvez não; talvez nunca mais, talvez até nem volte a resultar”. Por não me sentir preparada para esse voltar ao teu lado; no vidro do carro num dia de chuva encontrei um pequeno pedaço de papel com a tinta já desbotada – devia estar ali há horas! – que dizia: “volta”.

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Ana Ribeiro apresenta o seu título mais recente em Chaves

A autora Ana Ribeiro apresenta o seu livro mais recente – “Um amor inexplicável” – na biblioteca municipal de Chaves, cidade onde reside, no próximo dia 15 de outubro, às 18h30. Depois disso, a jovem escritora quer levar este título a algumas bibliotecas escolares, para suscitar o debate dos alunos do ensino secundário sobre a doença oncológica (que serve como pano de fundo a este romance). Ana Ribeiro tem ainda planos para brevemente apresentar o seu livro no IPO do Porto e na cidade de Lisboa.

amorchaves

Entretanto, Ana Ribeiro está a escrever um novo título. “Ao teu lado” permitirá que os leitores conheçam a história que uniu a médica de João Pedro – personagem de “Um amor inexplicável” – ao seu marido Miguel e também poderão ler aqui o episódio da infância de Laura, em que esta se cruzou com Miguel, quando esta outra personagem era ainda adolescente. “Neste livro, vou abordar a forma como as diferenças entre as pessoas podem interferir com as relações que estabelecemos com os outros. Mas ainda está em fase de melhorias, foi o meu primeiro trabalho de prosa e quando escrevi a primeira versão, ficou demasiado extensa, com cerca de 1.090 páginas. Agora quero trabalhar melhor o texto, de forma a ficar com um tamanho aceitável. É nisso que tenho trabalhado nos últimos dias”, explica Ana Ribeiro.

“Tento ser genuína e dar sempre o melhor, em tudo o que escrevo”

Ana Ribeiro é uma jovem de 28 anos, residente em Chaves e com dois títulos já publicados. O último – “Um amor inexplicável” – foi editado em junho pela Capital Books e reflete o caráter romântico da autora. Fomos conversar sobre o que a Ana já fez nas letras, mas também como projeta o desenvolvimento da sua carreira literária.

Ana Ribeiro

Quem é a Ana Ribeiro? De onde vens e para onde queres ir?

Nasci em 1987, no Porto, mas desde que me conheço que vivo em Chaves. Adoro ler, leio todo o tipo de livros, adoro escrever, uma boa sessão de cinema e uma viagem inesquecível. Adoro que me façam rir à gargalhada. Sou licenciada em Análises Clínicas e Saúde Pública, no cresci com o bichinho da escrita. A paixão pela escrita surgiu na infância, com a escrita de vários diários. Comecei a escrever alguns textos de poesia em 2009, que fui partilhando com um amigo meu, que me incentivou a lutar por este sonho – de um dia ser escritora – e me sugeriu que os compilasse num livro. Em março de 2011, publiquei “Diário de uma vida” e participei num projeto com escolas, que me fez perceber o que é que eu queria fazer realmente: escrever. Contar histórias aos outros.

Qual o impacto que o facto de seres autora tem na tua vida?

Ser autora mudou-me muito. Quando publiquei o meu primeiro livro, era uma jovem muito tímida e reservada, não gostava de comunicar, lembro-me que durante o meu percurso académico não gostava de apresentar trabalhos e ter tanta gente à minha frente a avaliar a minha postura e o meu trabalho. Se pudesse fugir, não perdia tempo. Quando publiquei o meu primeiro livro, tive que enfrentar esse medo e guardar uma boa parte da minha timidez. O projeto com escolas em que participei, também me ajudou a descobrir o prazer em comunicar com os outros e não ter medo dos seus juízos de valor.

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