“O tempo é generoso, porque nos devolve o que a vida nos tira”

Carla Antunes assina “O artesão”, o novo título da Capital Books, que será lançado em fevereiro. Conversamos com a autora, para conhecer um pouco mais deste livro.

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Queres resumir a história de “O artesão”?

Esta é uma história de amor, um sentimento de infância que cresce condenado a um infortúnio do passado. Nina e Simão são inseparáveis, encurralados no tempo, como peças dum relógio estagnado. Uma promessa que ficou por cumprir e um desgosto tão profundo, capaz de os levar à morte. Até ao dia em que uma tempestade a decide levar e num mero acaso, quando todos a julgavam ter perdido, a vida renasce. Mas desta vez no coração da montanha onde nunca ninguém ousou chegar. Nina desperta, sob um novo olhar, um sentimento que há muito julgava esquecido. Isaac, um ser estranho, pouco afável que a volta a fazer sentir. Do outro lado, o submundo, um misto pouco provável de sentimentos, emoções, a cobiça e a ambição. Tudo o que nos move, mesmo que por fim, o caminho a escolher seja sempre aquele que os uniu desde o inicio.

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“Os livros surgem sempre de um momento, de um impulso…”

Adelaide Miranda é a energética e polifacetada autora de “Amor, traição e kizomba” e de “Reflexos da lua”. Conversamos por ocasião da nova edição deste segundo título.

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Este último ano foi intenso com a publicação de três títulos. Que balanço fazes desta atividade?

Balanço? Acho muito cedo para fazer um balanço. Posso apenas dizer que há ideias que se colam a nós de uma forma e torna-se impossível não as concretizar.

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O fantasma de Natal da tia Emília

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Desde que se recordava, aquele canto da sala era o local oficial da árvore de Natal. E esta era sempre montada no fim-de-semana mais próximo do dia 8 de Dezembro, sempre desligada no dia 7 de Janeiro (dia seguinte ao dia de Reis) e desmontada no sábado seguinte (se este não fosse o próprio dia 7 de Janeiro). Tradições de família, que se foram cristalizando ao longo de décadas. Este 10 de Dezembro era um dia de sol e céu azul, que dissimulava o frio que se sentia do lado de lá dos vidros das portadas de madeira, pintadas de branco. Alberto e o seu sobrinho adolescente olhavam, do meio da sala, o esqueleto verde-plástico da árvore tida como ecologicamente responsável, que acompanhava a família há vários anos. Avaliavam a simetria com que os galhos foram por eles abertos, o ângulo com que a luz incidiria através da janela. Antecipavam os ornamentos e luzes que, dali a uma horas, a tornariam exuberante.

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Era uma vez o Natal

Ele viu-a. Mas ela não o viu. Porque tudo o que ela conseguia ver eram fantasmas, saídos e mantidos numa escuridão que a envolvia e não lhe dava tréguas. Ele viu-a. Dias a fio ele viu-a, deambulando a caminho das obrigações que a vida lhe impunha. A caminho de cada lado, nenhum que lhe permitia manter o mínimo de condições para seguir em frente. Mais ninguém a viu, mas ele sim. Ele viu, escondido atrás da velha sebe que separava a casa dela do resto do mundo, quando ele se foi embora. Entregando-a sem misericórdia ao desespero da sorte que teimava em lhe fugir. Ele viu o que o resto do mundo teimava em ignorar, viu os encolher de ombros alheios, os olhares de pena que teimavam em se esconder e de nada lhe serviam, a ela.
Ele viu-a e sentiu o seu pequeno coração apertar-se a cada pegada profunda que os pés dela desenhavam na neve branca do caminho que percorria todos os dias. Era inverno e era Natal. E por isso havia neve.

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“Este livro foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda”

Bruno Vilas é o autor de “O berço do fim”, romance em que os personagens vivem um ardente protagonismo. Conversamos sobre este seu primeiro livro e projetos futuros.

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Este é o seu primeiro livro? O que o motivou a escrever este título?

Este é a minha estreia como romancista, mas a escrita já vem de longa data. Mas só agora saltou cá para fora, para o público em geral, uma espécie de caixa de pandora apocalíptica. “O berço do fim” foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda, um livro que será saboreado daqui a 100 anos como se fosse atual, esse é o grande objetivo da minha escrita, criar um buraco no espaço-tempo, onde as pessoas ficam presas durante o tempo em que lêem o livro.

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O meu querido dezembro!

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– Adoro o mês de dezembro! – exclamou a mãe.

– Deus me livre! Que horror! Só frio, chuvas, neves que não nos deixam passar na estrada! – gritou o pai.

– Claro que isso ninguém gosta, mas adoro Dezembro! – disse a mãe muito sonhadora.

– Iá! Eu também adoro dezembro, quando fazem desconto na net e oferecem 5 gigas de net para o meu telemóvel! – disse Bianca, enquanto mexericava no telemóvel.

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“Preciso estar junto dos leitores que estão próximos do meu livro”

“O Peregrino” do escritor Luís Ferreira é um dos sucessos editoriais deste Natal. Publicado pela Capital Books, é o retorno deste autor ao Caminho de Santiago.

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“O Peregrino” está a ser um sucesso editorial. A que atribuis isso?

O sucesso de qualquer livro deve-se ao leitor, é quem lê e quem compra que o divulga. Este livro, como qualquer um, depende disso, de leitores que gostem daquilo que escrevemos e que tornem depois as nossas palavras num livro de sucesso. Só tenho de agradecer a todos aqueles que já têm o livro, que o procuram e que constroem o seu percurso, os resultados são consequência de tudo isto. Não basta desejar sucesso a uma obra, porque nada acontece sem a intervenção direta de todos os agentes. De quem escreve, de quem publica e o mais importante, de quem lê.

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“Os peregrinos são os reais protagonistas desta história”

Nuno Sousa e Maria Carmen García são os autores de “Fátima – 100 anos de fé”, compilação de imagens e textos que ilustram uma peregrinação a este santuário. Os dois explicam que os verdadeiros intérpretes desta história são os peregrinos.

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De onde surgiu a ideia para elaborar este livro?

Nuno Sousa: Este é o meu segundo livro sobre peregrinações, depois de “Olhares de um Peregrino no Caminho de Santiago”, que fiz com o Luís Ferreira. É importante mostrar como é uma peregrinação com peregrinos reais. Todas as fotos que aparecem em “Fátima, 100 Anos de Fé” são instantâneos de momentos que aconteceram durante os dias que passei com o grupo de peregrinos de Fernão Ferro. Os textos que acompanham as fotografias são depoimentos escritos pelos peregrinos durante o percurso. Queremos deixar aqui uma referência à preciosa ajuda do Padre Marco Belchior, que escreveu o prefácio do livro, da Conceição Gonçalves que nos conta como nasceu o Grupo de Peregrinos de Fernão Ferro e do Luís Ferreira, um amigo que nos revela no seu depoimento a sua interpretação de “ser peregrino”.

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“Este é um livro maduro, para surpreender os menos jovens”

João e Luís Jesus – dois gémeos com 13 anos – são dos mais jovens autores portugueses e, depois de uma primeira experiência literária, voltam agora à carga com o lançamento de “Até que a doença nos separe”. Trata-se de um romance destinado a um público adolescente, mas os dois gémeos escritores prometem não ficar por aqui.

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Vocês são gémeos e têm ambos 13 anos (devem ser os mais jovens autores portugueses!). Como é que surgiu este gosto pela escrita?

João: O meu gosto pela escrita surgiu bastante cedo. Sempre gostei de escrever, inventar histórias, dar azo à minha imaginação e depois lê-las em voz alta. Mesmo quando andava no primeiro ano de escolaridade, pegava em pequeno livros e, apesar de ainda não ler, inventava uma história para as ilustrações que via. Por vezes, as professoras limitavam um texto a x linhas, eu não conseguia resumir tudo naquela quantidade e ultrapassava-as. E ainda ultrapasso!

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“Publicar um livro era um sonho e é muito gratificante realizá-lo”

Sofia Cardoso publicou um registo autobiográfico intitulado “2015 ao pormenor”, a sua estreia literária, em setembro deste ano. Depois de escutar o feedback dos seus primeiros leitores, esta autora já prepara novas incursões pelo mundo das letras.

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Qual a sensação de publicar o primeiro livro e como é que este “2015 ao pormenor” foi recebido pelos leitores?

Difícil resumir o que se sente… Antes de mais, um profundo reconhecimento. Por ver um ano de trabalho recompensado e o meu tímido talento valorizado. Publicar um livro era um sonho e é muito gratificante realizá-lo. Só que não basta a editora acreditar, é preciso que o público esteja lá depois para o apreciar e este meu “2015 ao pormenor” tem sido muito bem recebido pelos leitores. Aquilo que as pessoas mais realçam é o lado positivo, otimista, a par da prova de força e superação que reconhecem nele. Dizem-me que se revêem nas minhas palavras, que a leitura é agradável e que transmite uma energia positiva que é inspiradora, o que me deixa particularmente feliz porque é precisamente esse o objetivo maior da minha escrita: tocar de alguma forma quem me lê. Depois recebo também elogios ao ritmo e ao meu estilo muito próprio. A propósito, chegou-me a reação de uma criança de sete anos que ao ler uma passagem exclamou de entusiasmo para a mãe: «parece poesia!», o que prova que o livro é abrangente, podendo cativar várias idades. Tenho também quem me diga que quando começou não conseguiu parar. Que a ideia da estrutura do livro está muito boa, porque é fácil de ler. Já pus a ler quem não gostasse de o fazer, por exemplo… Sobretudo, quem se encontrou nas suas páginas, ficou sensibilizado e achou graça, desde logo, ao desafio de se procurar, sabendo naturalmente que faz parte dele. Se bem que, devo dizer, ainda haja quem desconheça que inspirou um ou mais pormenores deste livro, fazendo assim também parte dele sem saber…

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