“Perder a memória é devastador e não sabia como lidar com isso”

Patrícia Rebelo é a autora de “Um dia disseste que eu devia escrever um livro”, um novo título a publicar pela Capital Books já em novembro. É um relato pujante e destemido de uma jovem que perde acidentalmente parte da sua memória e que, em resultado disso, não consegue reconhecer e manter o seu namorado. Mas as dificuldades começam quando parte à reconquista de Diogo, o seu antigo namorado…

Como é que chegaste aos caminhos da escrita? É uma coisa que começou de que forma e quando?

A escrita é algo muito natural para mim. Não sei o momento exato em que se tornou parte essencial de mim. Sei que não foi desde pequena, porque nessa altura eu só gostava de desenhar. Talvez tenha surgido depois da morte do meu pai, quando eu senti necessidade de me expressar e não conseguia fazê-lo verbalmente. Até porque na escrita, expressava-me de mim para mim e assim não tinha de dar grandes explicações, eram apenas os meus sentimentos. Até porque uma criança, numa fase de pré-adolescência, começa a ter muitos sentimentos que precisam de ser exteriorizados quando acontece algo assim. Julgo que a morte tenha sido, o grande detonador, apesar de nessa altura escrever muito esporadicamente. A escrita apareceu a cem por cento, num sentimento de “isto faz mesmo sentido para mim”, por volta de 2007, quando surgiu o primeiro namorado a sério. Aquele que se apresenta à família. Aquele que é aprovado pela família. Enfim, aquele que se julga que é para sempre. Talvez tenha sido mesmo nessa altura, apesar de eu já ir escrevendo algumas coisas antes. Eu achava, nesta altura, que as coisas eram demasiado boas para estarem guardadas e acabava sempre por fazer textos acerca dele e de nós.  Depois algumas pessoas iam lendo nas redes sociais e até gostavam, fui recebendo elogios e nunca mais deixei de escrever. Claro que assiduamente e com pessoas de vários pontos a lerem, só desde janeiro de 2015, quando criei a minha página do Facebook.

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