O unicórnio do Pai Natal

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Um conto de Natal de Miguel Agramonte

– Um unicórnio??? – perguntou Rudolfo com um ar estupefacto, começando a andar nervosamente em círculos pelo salão aquecido e em parte iluminado pela grande lareira. O som dos passos irritados era abafado pelas pantufas farfalhudas: – O velhote enlouqueceu de vez?

Faltavam poucos dias para a chegada do Inverno e, no exterior da casa, a neve caía com intensidade, à semelhança do que viera acontecendo nas semanas anteriores. Contudo, apesar da temperatura extremamente baixa que se fazia sentir, algumas das suas companheiras ainda não tinham voltado do exercício físico ao ar livre. Trabalhavam, apenas, 24 horas por ano, sem parar. Mas, a dureza dessa atividade anual obrigava-as a estarem o mais exercitadas possível e o plano de exercícios físicos começara a ser rigorosamente cumprido havia meses. O aproximar da data fazia com que estes viessem a ser cada vez mais exigentes.

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“Na vida existem todas as orientações sexuais”

Miguel Agramonte é o mais profícuo dos autores gays em Portugal. Acaba de lançar “Amar de olhos fechados”, depois do seu primeiro título ter atingido o estatuto de livro de culto. Fomos conversar para saber mais sobre os seus romances e projetos.

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Como tem sido a recepção dos leitores ao teu novo romance?

Muito boa! Se tivesse que escolher uma palavra para a classificar, escolheria paixão. Desde o primeiro momento que os comentários que tenho recebido têm sido excelentes, com alguns leitores a assumirem terem ficado apaixonados por algumas das personagens. Há opiniões muito positivas publicadas nas páginas do Facebook, enquanto que outras foram-me transmitidas pessoalmente. Também é muito interessante o facto de as pessoas referirem que começam a ler e só conseguem parar na última página e várias delas sugerirem continuações para a história, pegando em diversas formas de o fazer. O livro foi lançado há pouco tempo mas, sinceramente, a forma como está a ser acolhido superou as minhas expectativas.

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O fantasma de Natal da tia Emília

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Desde que se recordava, aquele canto da sala era o local oficial da árvore de Natal. E esta era sempre montada no fim-de-semana mais próximo do dia 8 de Dezembro, sempre desligada no dia 7 de Janeiro (dia seguinte ao dia de Reis) e desmontada no sábado seguinte (se este não fosse o próprio dia 7 de Janeiro). Tradições de família, que se foram cristalizando ao longo de décadas. Este 10 de Dezembro era um dia de sol e céu azul, que dissimulava o frio que se sentia do lado de lá dos vidros das portadas de madeira, pintadas de branco. Alberto e o seu sobrinho adolescente olhavam, do meio da sala, o esqueleto verde-plástico da árvore tida como ecologicamente responsável, que acompanhava a família há vários anos. Avaliavam a simetria com que os galhos foram por eles abertos, o ângulo com que a luz incidiria através da janela. Antecipavam os ornamentos e luzes que, dali a uma horas, a tornariam exuberante.

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“Desejava que as vendas acontecessem pelo conteúdo e não por ser um livro gay”

Miguel Agramonte escreveu “Quando tu nos mentes”, um romance gay que aborda de forma despudorada o tema das traições nas relações amorosas. Meio ano depois da sua publicação, perguntamos ao autor de que forma este título foi recebido pelos leitores.

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Como foi a receptividade do público ao teu primeiro livro?

Bastante positiva, melhor do que eu esperava. Primeiro porque sou um autor desconhecido – “Quando tu nos mentes” foi o meu primeiro livro editado –, depois por se tratar de uma história homossexual. Ambas as situações poderiam limitar, à partida, a receptividade ao livro. No entanto, três aspectos contribuíram para o que se verificou: o lançamento do livro em Lisboa,  o processo de venda e o facto de a primeira impressão ter-se esgotado na Feira do Livro de Lisboa.Também muito agradável tem sido a interacção com leitores desconhecidos, principalmente através de mensagens que recebo no Facebook e com quem, na maioria, vou mantendo um contacto pontual e descontraído.

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“A traição quase compulsiva não é exclusiva da realidade gay”

Miguel Agramonte é o autor de “Quando tu nos mentes”, novela gay que a Capital Books publicará brevemente. Este romance aborda despudoramente as relações homossexuais, revelando o que se esconde por detrás dos sites de engates gays.

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Quem é o Miguel Agramonte e o que é que o faz publicar agora o seu
primeiro livro?

O Miguel Agramonte é um escritor português que escreve desde a sua
adolescência, simplesmente por prazer e para consumo interno (círculo de
amigos mais próximos). A minha vida tem-me permitido viver em diversos
países de língua oficial portuguesa, em vários continentes e, talvez por
isso, por conviver com vários dos seus sabores, fui reforçando a paixão
pela língua portuguesa. Apesar de ser desafiado pelos meus amigos-leitores,
o facto de escrever como passatempo nunca me levou a procurar uma editora.
Mas, por uma feliz coincidência, chegamos ao momento em que nos encontramos
(através de um amigo leitor que é amigo de um editor que procurava alguém
que escrevesse histórias de cariz alternativo – no meu caso específico de
temática LGBT).

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