“Não há adjetivo para quem perdeu um filho ou uma filha”

Maria Israel escreveu “A redenção de Guadalest”, publicado pela Capital Books em junho. Esta é a história de uma mulher aprisionada num casamento amargurado e que encontra, num espírito que vem do seu passado, a força para caminhar em direção à felicidade. Conversamos com esta autora, para saber sobre o que a motiva a escrever.

Maria Israel

Maria Israel chegou agora ao mundo dos livros. Por onde andou antes?

Por muito lado… mas sempre ligada às artes, primeiro pelos cabelos, profissão que herdei de minha mãe, depois fui escultora em cerâmica, licenciada em história. E, em paralelo, fui professora de cerâmica em várias escolas de Almada, estudei pintura com Mira Sousa Dias, trabalhei e dei aulas de pintura a jovens e idosos, fiz bijuteria com vários materiais. E, simultaneamente, fui escrevendo.

O que a motivou a escrever “A redenção de Guadalest”?

“A redenção de Guadalest” foi escrita para homenagear as mulheres que foram e são vítimas de maus tratos e de violência doméstica. Nas várias profissões que abracei, convivi e conheci muitas mulheres e crianças vítimas desse abominável flagelo. A minha mãe foi vítima de maus tratos, logo eu também fui vítima e sofri as consequências desse mal. Sempre disse que havia de publicar um livro para as homenagear e ele aqui está. Infelizmente e apesar deste livro ter sido escrito há 25 anos, é cada vez mais atual. Se lhe disser que algumas das mulheres que me inspiraram, umas ainda são vítimas e outras são mães de mulheres que hoje são vítimas, não lhe minto… como pode ser isto possível? Tantos governos passaram já e pouco ou nada fizerem para punir os agressores…é lamentável, não acha?

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