“Escrever este livro foi uma espécie de resgate de mim”

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Graça Aguiar é a autora de “Vento do norte”, uma espécie de sequela do seu primeiro livro, “Vento do sul”. Conversámos sobre este novo título – lançado em maio pela Capital Books –, a intensidade da sua narrativa e das suas personagens vincadas.

Porque decideste escrever este novo livro, sequela do primeiro “Vento do sul”?

Decidi começar a escrevê-lo quatro meses antes de lançar o primeiro. O “Vento do Sul” esteve guardado uns bons anos na gaveta, durante esse tempo fui pedindo a algumas amigas para o lerem. As opiniões foram coincidentes, bastante favoráveis e quase sempre com a mesma pergunta associada, “vais escrever a continuação, não vais?”. No início não considerei fazê-lo, uma vez que não tinha em mente publicar o que quer que fosse. Mas mais tarde resolvi reler a história e percebi que elas tinham razão, que eu também gostaria de ler a continuação. Foi nessa altura que resolvi romper com alguns dos meus medos e enviar o manuscrito para cinco editoras. E foi também na mesma altura que me bateu uma nova vontade: começar a escrever o “Vento do norte”. Valeu a pena, confesso. Para além do desafio de escrever algo que seria uma continuação, mas sem o ser exatamente, foi deixar-me mergulhar nas emoções de algumas personagens e, com isso, fazer uma espécie de resgate de mim mesma, uma terapia.

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“A escrita faz-nos sentir que quanto mais escrevemos, mais longo é o caminho”

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Catarina Resende assina “Acima das tuas possibilidades”, um romance que cruza a ficção com a história recente dos portugueses e que foi publicado em março pela Capital Books. Conversamos com esta autora para saber mais porque e como escreve.

“Acima das tuas possibilidades” é o teu mais recente livro, o que te fez escrevê-lo?

Portugal viveu, muito recentemente, anos muito pesados, fruto das políticas de austeridade que foram adotadas como resposta à bancarrota. Durante esses anos fui-me deixando interpelar por estórias de pessoas, de famílias e de empresas. Estórias indignas e às quais não nos podemos resignar. “Acima das Nossas Possibilidades”, uma expressão muito em voga à época, é um romance para memória futura, que mistura essas estórias, com outras de fé e de amor. E de esperança. E de recomeços. Fui convocada pela frieza da realidade e, quando escrevi, acrescentei-lhe essa crença no futuro que, para mim, é essencial.

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“É uma história sobre a essência de uma verdadeira amizade”

Ana Ribeiro está de volta com “Ao teu lado”, um novo romance sobre dois amigos de infância, que se envolvem amorosamente. A jovem autora revela o que a levou a escrever este livro e reflete sobre os constrangimentos que cerceiam os novos autores.

Ana Ribeiro

“Ao teu lado” é o teu novo romance. De que trata este título?

Mais do que uma história de amor entre dois amigos de infância, é uma história de afetos e da essência de uma verdadeira amizade que se inicia na infância e se prolonga pela vida fora. Também aborda a temática da diferença, a forma como as diferenças entre as pessoas muitas vezes as podem unir para sempre ou interferirem com as relações que estabelecemos com os outros. E o bullying: na infância, Miguel vive num dilema. Se por um lado sente falta de ter amigos, por outro lado não quer fazer amigos por ter medo de ser gozado por ser pobre.

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“Este livro é sobre seguir os nossos sonhos e compreender o caminho que eles traçam”

Ana Beatriz Ribeiro é a autora de “Governa o meu coração”, título a publicar muito brevemente pela Pastel de Nata Edições. Fomos conversar com esta jovem escritora, residente em Amarante, que agora publica o seu primeiro trabalho literário.

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O que te levou a escrever este teu primeiro livro?

A ideia de escrever um livro surgiu com a paixão de ler que, por sua vez, nasceu na disciplina de Literatura Portuguesa. Só depois de ganhar esta paixão é que eu comecei a escrever pequenos textos e a mostrá-los a uma amiga minha. Esta continuou a incentivar-me a escrever e, quando lhe mostrei o texto que deu origem ao livro, ela desafiou-me a continuá-lo. E eu simplesmente fi-lo. E fiquei surpreendida com o resultado, visto que não esperava escrever um livro, apenas queria ver onde é que aquele texto iria parar. Para além disto, o que me levou a escrever o livro foi a necessidade de escrever a história daquelas personagens e a insistência com que elas permaneciam na minha cabeça.

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“Este livro nasceu quando li uma entrevista de uma figura pública”

Joana Reis é a autora de “Jet-Set”, a história de uma mulher viúva forçada a reconstruir a sua vida no meio da alta sociedade. A autora explica-nos porquê e como o escreveu.

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Este é o seu primeiro livro? O que o levou a escrevê-lo?

Antes de responder às perguntas, quero agradecer esta oportunidade à Capital Books/Pastel de Nata Edições, que me deram a oportunidade de realizar um dos maiores sonhos da minha vida: publicar um livro. Obrigado. “Jet-Set” é o meu primeiro livro a ser editado, embora não tenha sido o primeiro a ser escrito. O que me levou a escrevê-lo foi a minha paixão pela escrita.

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“O tempo é generoso, porque nos devolve o que a vida nos tira”

Carla Antunes assina “O artesão”, o novo título da Capital Books, que será lançado em fevereiro. Conversamos com a autora, para conhecer um pouco mais deste livro.

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Queres resumir a história de “O artesão”?

Esta é uma história de amor, um sentimento de infância que cresce condenado a um infortúnio do passado. Nina e Simão são inseparáveis, encurralados no tempo, como peças dum relógio estagnado. Uma promessa que ficou por cumprir e um desgosto tão profundo, capaz de os levar à morte. Até ao dia em que uma tempestade a decide levar e num mero acaso, quando todos a julgavam ter perdido, a vida renasce. Mas desta vez no coração da montanha onde nunca ninguém ousou chegar. Nina desperta, sob um novo olhar, um sentimento que há muito julgava esquecido. Isaac, um ser estranho, pouco afável que a volta a fazer sentir. Do outro lado, o submundo, um misto pouco provável de sentimentos, emoções, a cobiça e a ambição. Tudo o que nos move, mesmo que por fim, o caminho a escolher seja sempre aquele que os uniu desde o inicio.

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“Os livros surgem sempre de um momento, de um impulso…”

Adelaide Miranda é a energética e polifacetada autora de “Amor, traição e kizomba” e de “Reflexos da lua”. Conversamos por ocasião da nova edição deste segundo título.

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Este último ano foi intenso com a publicação de três títulos. Que balanço fazes desta atividade?

Balanço? Acho muito cedo para fazer um balanço. Posso apenas dizer que há ideias que se colam a nós de uma forma e torna-se impossível não as concretizar.

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“Este livro foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda”

Bruno Vilas é o autor de “O berço do fim”, romance em que os personagens vivem um ardente protagonismo. Conversamos sobre este seu primeiro livro e projetos futuros.

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Este é o seu primeiro livro? O que o motivou a escrever este título?

Este é a minha estreia como romancista, mas a escrita já vem de longa data. Mas só agora saltou cá para fora, para o público em geral, uma espécie de caixa de pandora apocalíptica. “O berço do fim” foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda, um livro que será saboreado daqui a 100 anos como se fosse atual, esse é o grande objetivo da minha escrita, criar um buraco no espaço-tempo, onde as pessoas ficam presas durante o tempo em que lêem o livro.

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“Publicar um livro era um sonho e é muito gratificante realizá-lo”

Sofia Cardoso publicou um registo autobiográfico intitulado “2015 ao pormenor”, a sua estreia literária, em setembro deste ano. Depois de escutar o feedback dos seus primeiros leitores, esta autora já prepara novas incursões pelo mundo das letras.

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Qual a sensação de publicar o primeiro livro e como é que este “2015 ao pormenor” foi recebido pelos leitores?

Difícil resumir o que se sente… Antes de mais, um profundo reconhecimento. Por ver um ano de trabalho recompensado e o meu tímido talento valorizado. Publicar um livro era um sonho e é muito gratificante realizá-lo. Só que não basta a editora acreditar, é preciso que o público esteja lá depois para o apreciar e este meu “2015 ao pormenor” tem sido muito bem recebido pelos leitores. Aquilo que as pessoas mais realçam é o lado positivo, otimista, a par da prova de força e superação que reconhecem nele. Dizem-me que se revêem nas minhas palavras, que a leitura é agradável e que transmite uma energia positiva que é inspiradora, o que me deixa particularmente feliz porque é precisamente esse o objetivo maior da minha escrita: tocar de alguma forma quem me lê. Depois recebo também elogios ao ritmo e ao meu estilo muito próprio. A propósito, chegou-me a reação de uma criança de sete anos que ao ler uma passagem exclamou de entusiasmo para a mãe: «parece poesia!», o que prova que o livro é abrangente, podendo cativar várias idades. Tenho também quem me diga que quando começou não conseguiu parar. Que a ideia da estrutura do livro está muito boa, porque é fácil de ler. Já pus a ler quem não gostasse de o fazer, por exemplo… Sobretudo, quem se encontrou nas suas páginas, ficou sensibilizado e achou graça, desde logo, ao desafio de se procurar, sabendo naturalmente que faz parte dele. Se bem que, devo dizer, ainda haja quem desconheça que inspirou um ou mais pormenores deste livro, fazendo assim também parte dele sem saber…

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“Estou a preparar-me para dar voz à minha geração”

Pedro Rodrigues nasceu na Figueira da Foz, vive em Coimbra e é reconhecido como um dos melhores escritores portugueses desta nova geração. Para contrariar o seu reservado perfil pessoal, quisemos saber mais sobre o homem por detrás do escritor.

Pedro Rodrigues

És um rapaz de 28 anos, mas já contas com dois livros publicados. Foi assim tão fácil?

Aprendi, com o tempo, que nada é fácil. Tive a sorte de alguém ter encontrado os meus papéis perdidos pelas gavetas e me ter incentivado a criar o blog. Mas nem a decisão de mostrar ao mundo os meus textos foi fácil. Depois disso, o resto é história. Quando penso no meu percurso desde novembro de 2010 até hoje, vem-me sempre à cabeça uma passagem de uma crónica do Miguel Sousa Tavares, que li quando era muito jovem e me tem servido de mantra ao longo dos anos: “quem é bom, acaba fatalmente por se impor”. Até pode parecer presunçoso da minha parte, mas é esta a verdade. E ser bom, mais que uma caraterística da pessoa, é algo que se procura. E procuramos, caminhando, sem desistir.

Como é que fazes para escrever? Isolas-te no teu quarto durante uma semana, ou vais para uma esplanada na praia e bebes umas imperiais?

Não há melhor aliado que o silêncio. No entanto, precisamos de viver para escrever. Portanto, tudo pode começar no café, entre amigos. Posso começar a escrever aí. Porque a atenção ao detalhe é importantíssima. Porque ouvir, ver, cheirar, provar, tocar é necessário.

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