“Utilizei emoções da minha vida para escrever este romance”

Adelaide Miranda estreia-se na ficção este novembro, com o romance “Reflexos da Lua”, uma surpreendente história sobre um amor proibido, publicada pela Capital Books. Mas a autora angolana tem outra surpresa na manga, pois também vai publicar o “Guia prático da carapinha”, um manual direcionado a todas as mulheres africanas.

Adelaide Miranda

Como começou o seu interesse pela escrita? Já vem de há muito tempo?

Comecei por escrever poemas soltos nos cadernos da escola, até que no 10 ano ou 11 ano, a minha colega Helena Antunes ofereceu-me um livro em branco. Foi um presente de aniversário que me marcou muito. Ela disse-me que assim já não corria o risco de perder as minhas poesias. E a partir daí comecei a escrever com mais frequência. As minhas dúvidas, os meus conflitos, as minhas paixões… Desabafava com as folhas em branco. E quando fui apresentada à poesia de Florbela Espanca, identifiquei-me tanto com ela que nunca mais parei de escrever.

Continuar a ler

Anúncios

“O inspetor Alexandre Melo e as suas histórias vieram para ficar”

Paulo Costa Gonçalves é o autor do recém-publicado “Sob estranhos céus”, a esperada sequela de “O herdeiro de Antioquia”. Sociólogo de formação, este autor transformou a sua paixão pelas ciências humanas nas aventuras do inspetor Alexandre Melo, uma espécie de Hercule Poirot contemporâneo bem cruzado com episódios da história.

Paulo Costa Gonçalves

O que te levou a escrever esta sequela?

Esta sequela surgiu a pedido dos leitores, que acharam que o cruzamento da história com a minha história poderia ir mais além. Quando escrevi “O herdeiro de Antioquia”, pensei que aquela história ficaria por ali, isto apesar de posteriormente reconhecer que tinham ficado algumas janelas e portas abertas para uma eventual sequela. Mas honestamente não foi essa a ideia inicial, apenas aconteceu porque o estilo que imprimo ao que escrevo é o de deixar, para a imaginação do leitor, vivências intrínsecas sobre o desenrolar dos acontecimentos. Acontece que os leitores pediram mais porque ficaram curiosos sobre o destino de alguns personagens e porque a leitura que fizeram era a de que alguns personagens não seriam bem aquilo que aparentavam ser. Em suma, na imaginação de inúmeros leitores talvez tivesse existido alguma manipulação de acontecimentos ao longo de “O herdeiro de Antioquia” e alguns personagens não fossem na realidade o que aparentavam.

Continuar a ler

“Gosto de ler de tudo, mas identifico-me com Stephen King”

António Parada iniciou a sua carreira literária em 2014, com o título “A Guardiã”, uma história de ficção científica que decorre em Portugal. Já este ano, lançou “Adão e Eva”, um romance ao melhor estilo do mestre Stephen King. Enquanto prepara o seu novo livro, desta vez com um ambiente épico, fomos conhecer melhor este autor de Sesimbra.

António Parada

Como define o seu livro “Adão e Eva”? Um livro policial, fantástico, de terror, erótico ou outra coisa qualquer?

No fundo, é um pouco disso tudo! Podemos traduzi-lo como uma narrativa algo híbrida, mas que resulta muito bem no seu conjunto, tendo como pano de fundo, em destaque, o mistério e o insólito.

A narrativa deste título decorre na serra do Gerês, porque escolheu este cenário?

O Gerês é fantástico e mágico. Com facilidade, conseguimos imaginar um enredo literário fantasioso a desenrolar-se nesse espaço verdejante e polvilhado de recantos sombrios. Agora essas histórias fantasiosas tanto podem dar azo a narrativas de encantar, verdadeiros contos de fadas ou, pelo contrário, histórias mais insólitas, onde o suspense, o erotismo e o macabro se impõem…

Continuar a ler

“Se é para dar asas à imaginação, contem comigo”

Madalena Condado publicou, em maio, “Yggdrasil”. O primeiro volume da saga “Profecia do sangue” tem como heroína Maria, uma jovem portuguesa, mas a ação decorre maioritariamente na Irlanda. As aventuras do clã MacCumhaill incluem ação, mistério, romance e muita fantasia, incluindo dragões, poções e magia. Enquanto se prepara a publicação do segundo volume desta saga, fomos conversar com a autora.

Madalena Condado
A Madalena publicou recentemente o seu primeiro livro. Onde andou antes?

Por todo o lado, fiz um pouco de tudo, tentando encontrar o meu lugar, mas nunca me senti tão completa como quando escrevo. Desde sempre que adoro contar estórias, passá-las para o papel foi o passo seguinte. Este ano foi finalmente o início desta nova fase da minha vida, da minha nova era. Incentivada por umas amigas, ganhei finalmente a coragem que me faltava e, além de ter publicado o meu primeiro romance, ainda tive a possibilidade de escrever um texto e um poema, que foram também publicados. Sinto que todas as minhas experiências anteriores foram uma preparação para a chegada deste dia, o dia em que publicaria e nada melhor do que o fazer com “Yggdrasil”. É caso para dizer que a árvore começou a dar os seus frutos.

“Yggdrasil” está repleto de fantasia, ação, romance, humor e até umas cenas picantes… A inspiração veio de que forma?

Toda a ficção tem a sua parte de realidade. Escrevo sempre sem saber que rumo vou tomar. Com Yggdrasil sucedeu exatamente desse modo. Estava a ver umas fotografias da minha última viagem a Dublin e a Glendalough, enquanto ouvia rádio. Por coincidência, passaram naquela altura duas músicas seguidas em que ambos os títulos eram Demons, uma de um irlandês e a outra dos Imagine Dragons. Uma coisa levou à outra e algo me fez sentar ao computador. Já só consegui parar quando tinha “Yggdrasil” completo. Sinto que todas as minhas personagens são uma extensão de mim mesma, de tudo o que me rodeia, de todas as experiências por mim vividas, das pessoas que conheço, do que já fiz ou até mesmo do que ainda gostaria de fazer. Em relação aos momentos mais quentes do livro, esses deixo ao leitor pensar de onde possam ter surgido. Fica a promessa de que as coisas ainda irão aquecer muito mais, em todos os aspectos. Se é para dar asas à imaginação, contem comigo.

Continuar a ler