“Gosto de deixar as pessoas a pensar, (…) dar-lhes a escolher uma perspetiva de determinada personagem com a qual se identificam”

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Luís Vilas Espinheira acaba de lançar o romance “Prenúncio de Morte”. Um livro sobre uma família do norte, tal como o próprio autor.

1 – Quando te surgiu a vontade de escrever e o que te levou a escrever este primeiro livro?

Eu sempre gostei de ouvir e de contar histórias. Ler livros, ver séries, filmes e novelas, ter um olhar crítico sobre outras realidades. Comecei a escrever por passatempo. Há quem leve o cão a passear, quem trate do jardim, quem jogue futebol com os amigos. No meu caso, usava os meus tempos livres para escrever sobre pessoas que inventava, o seu passado e os seus fantasmas.
Sempre tive uma posição bem definida sobre determinado tipo de assuntos. E, na altura (2015), quando comecei a escrever o livro, quis transpor esses assuntos para a vida das minhas personagens.

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O unicórnio do Pai Natal

pai natal

Um conto de Natal de Miguel Agramonte

– Um unicórnio??? – perguntou Rudolfo com um ar estupefacto, começando a andar nervosamente em círculos pelo salão aquecido e em parte iluminado pela grande lareira. O som dos passos irritados era abafado pelas pantufas farfalhudas: – O velhote enlouqueceu de vez?

Faltavam poucos dias para a chegada do Inverno e, no exterior da casa, a neve caía com intensidade, à semelhança do que viera acontecendo nas semanas anteriores. Contudo, apesar da temperatura extremamente baixa que se fazia sentir, algumas das suas companheiras ainda não tinham voltado do exercício físico ao ar livre. Trabalhavam, apenas, 24 horas por ano, sem parar. Mas, a dureza dessa atividade anual obrigava-as a estarem o mais exercitadas possível e o plano de exercícios físicos começara a ser rigorosamente cumprido havia meses. O aproximar da data fazia com que estes viessem a ser cada vez mais exigentes.

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“Este livro surgiu de um estudo meu sobre o perfil dos agressores sexuais e das suas vítimas”

Ana Pina

Ana Folhadela publica em breve o seu primeiro livro para adultos, intitulado “O jogo do medo”. Com uma escrita crua e um enredo que explora as relações de domínio e submissão, uma narrativa que revela uma autora destinada a um público maduro.

Este é o teu primeiro livro? O que te motivou a escrevê-lo agora?

Sim e não. Não é o primeiro livro que escrevo, nem é o primeiro livro que publico. Tenho muita coisa escrita, de géneros muito diferentes. Publicados tenho apenas dois livros infanto-juvenis. O primeiro, «A princesa e a loba», publicado inicialmente em 2002 na extinta Campo das Letras e reeditado em 2012 pela Assírio e Alvim/Porto Editora. Tenho um segundo livro infanto-juvenil, «A terra dos gatos», que foi publicado em 2015, também pela Porto Editora. Publiquei ainda um pequeno conto infanto-juvenil, intitulado «O Anjo da Guarda», no Caderno de Natal de 2002 do semanário Expresso e, mais recentemente, um texto intitulado «Aquele que nos maltrata», em Março de 2016, na Revista Egoísta, dedicado ao tema traição. Curiosamente acabei por usar uma pequena parcela deste último texto no livro «O jogo do medo», que estava na altura a escrever, no capítulo da Marian. Tenho ainda um livro de reflexões, que escrevi na sequência da morte do meu pai e como homenagem a ele, a aguardar publicação. Dentro daquilo que tenho escrito e não publicado, ainda na gaveta, tenho algumas pequenas histórias muito antigas que podem lembrar estes livros, que podem ter sido a génese deles. Agora, escrito a sério e dentro deste género, para adultos e com uma extrema carga de violência, este foi o primeiro.

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“Tenho imensa curiosidade pelo que não vemos, mas sentimos”

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Fábio Santos acaba de publicar – pela Capital Books – “Guerra sagrada – Amael”, o primeiro volume de uma saga recheada de anjos e demónios, que tem Lisboa como cenário. Conversámos com este autor, para entendermos melhor a sua escrita.

Que tal a sensação de ver o primeiro livro publicado?

É meio uma experiência fora do corpo. Sempre gostei de criar e escrever histórias, mas jamais coloquei a hipótese de ter um livro publicado ou até que pessoas gostassem do que escrevo, apenas no reino dos sonhos é que me permitia tais pensamentos. Ver este publicado é estranho, ainda me estou a habituar, mas é algo extraordinariamente bom, na linha de ver um sonho concretizado.

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“Este livro foi o primeiro bom o suficiente para as pessoas lerem”

jayluis

Jay Luís é a autora de “Conquista da liberdade”, uma saga de ficção científica que se inicia com a publicação pela Pastel de Nata Edições de um primeiro volume intitulado “Rebeldes europeus”. Conversamos para saber mais sobre os seus projetos literários.

Quando te surgiu a vontade de escrever e o que te levou a escrever este primeiro livro?

Comecei a escrever perto dos 12 anos, quando percebi que todas as personagens masculinas é que faziam coisas interessantes e quis alterar isso. O meu primeiro projeto foi como que um plágio de outro livro, mas com personagens femininas. Este livro foi o primeiro que comecei a escrever e que penso ser bom o suficiente para outras pessoas lerem, tinha quinze anos na altura em que o comecei a escrever e continua a ser um trabalho em desenvolvimento.

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“O que me inspira para escrever livros são a vida e as emoções”

ana silvestre

Ana Silvestre é uma escritora que já conta um quatro obras publicadas e uma verdadeira legião de fãs. Quisemos saber o que a faz escrever livros e de que forma é que isso a ajuda a transmitir os seus próprios sentimentos e emoções aos leitores.

Como é que a escrita entrou na tua vida e como é que começaste a escrever livros?

A escrita entrou na minha vida depois da leitura. Os livros sempre exerceram um enorme fascínio sobre mim. Em criança lia muito e comecei por tentar escrever pequenos livros num caderno que depois dava à família para ler. Mas embora todos me elogiassem, nunca terminei nenhum. À medida que fui crescendo, o interesse pelos livros foi amadurecendo, mas eu queria era ler. Por volta dos 34 ou 35 anos, escrevi o miolo do meu primeiro livro «Eu sabia, estava escrito», que guardei numa pasta no computador. Na altura trabalhava no jornal «O Independente», onde era responsável pelos Recursos Humanos e escrevia durante a hora de almoço. Eu não sei o que é que eu esperava para continuar o livro, para terminá-lo, mas sabia que esperava um clique e ele deu-se em 2012 ao saber que a minha mãe tinha um cancro ao qual dificilmente sobreviveria. Ela descobriu o cancro em abril e nesse verão rescrevi o livro e acrescentei aquilo que lhe faltava, porque queria que a minha mãe soubesse, antes de morrer, que a filha tinha conseguido escrever um livro e assim veio a acontecer. Em outubro de 2013 foi publicado o meu primeiro livro e a minha mãe ainda estava viva. Quando lancei o segundo em 2015, já tinha morrido.

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“Escrever este livro foi uma espécie de resgate de mim”

graça aguiar

Graça Aguiar é a autora de “Vento do norte”, uma espécie de sequela do seu primeiro livro, “Vento do sul”. Conversámos sobre este novo título – lançado em maio pela Capital Books –, a intensidade da sua narrativa e das suas personagens vincadas.

Porque decideste escrever este novo livro, sequela do primeiro “Vento do sul”?

Decidi começar a escrevê-lo quatro meses antes de lançar o primeiro. O “Vento do Sul” esteve guardado uns bons anos na gaveta, durante esse tempo fui pedindo a algumas amigas para o lerem. As opiniões foram coincidentes, bastante favoráveis e quase sempre com a mesma pergunta associada, “vais escrever a continuação, não vais?”. No início não considerei fazê-lo, uma vez que não tinha em mente publicar o que quer que fosse. Mas mais tarde resolvi reler a história e percebi que elas tinham razão, que eu também gostaria de ler a continuação. Foi nessa altura que resolvi romper com alguns dos meus medos e enviar o manuscrito para cinco editoras. E foi também na mesma altura que me bateu uma nova vontade: começar a escrever o “Vento do norte”. Valeu a pena, confesso. Para além do desafio de escrever algo que seria uma continuação, mas sem o ser exatamente, foi deixar-me mergulhar nas emoções de algumas personagens e, com isso, fazer uma espécie de resgate de mim mesma, uma terapia.

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“A escrita faz-nos sentir que quanto mais escrevemos, mais longo é o caminho”

catarina resende

Catarina Resende assina “Acima das tuas possibilidades”, um romance que cruza a ficção com a história recente dos portugueses e que foi publicado em março pela Capital Books. Conversamos com esta autora para saber mais porque e como escreve.

“Acima das tuas possibilidades” é o teu mais recente livro, o que te fez escrevê-lo?

Portugal viveu, muito recentemente, anos muito pesados, fruto das políticas de austeridade que foram adotadas como resposta à bancarrota. Durante esses anos fui-me deixando interpelar por estórias de pessoas, de famílias e de empresas. Estórias indignas e às quais não nos podemos resignar. “Acima das Nossas Possibilidades”, uma expressão muito em voga à época, é um romance para memória futura, que mistura essas estórias, com outras de fé e de amor. E de esperança. E de recomeços. Fui convocada pela frieza da realidade e, quando escrevi, acrescentei-lhe essa crença no futuro que, para mim, é essencial.

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“Na vida existem todas as orientações sexuais”

Miguel Agramonte é o mais profícuo dos autores gays em Portugal. Acaba de lançar “Amar de olhos fechados”, depois do seu primeiro título ter atingido o estatuto de livro de culto. Fomos conversar para saber mais sobre os seus romances e projetos.

miguel agramonte

Como tem sido a recepção dos leitores ao teu novo romance?

Muito boa! Se tivesse que escolher uma palavra para a classificar, escolheria paixão. Desde o primeiro momento que os comentários que tenho recebido têm sido excelentes, com alguns leitores a assumirem terem ficado apaixonados por algumas das personagens. Há opiniões muito positivas publicadas nas páginas do Facebook, enquanto que outras foram-me transmitidas pessoalmente. Também é muito interessante o facto de as pessoas referirem que começam a ler e só conseguem parar na última página e várias delas sugerirem continuações para a história, pegando em diversas formas de o fazer. O livro foi lançado há pouco tempo mas, sinceramente, a forma como está a ser acolhido superou as minhas expectativas.

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“É uma história sobre a essência de uma verdadeira amizade”

Ana Ribeiro está de volta com “Ao teu lado”, um novo romance sobre dois amigos de infância, que se envolvem amorosamente. A jovem autora revela o que a levou a escrever este livro e reflete sobre os constrangimentos que cerceiam os novos autores.

Ana Ribeiro

“Ao teu lado” é o teu novo romance. De que trata este título?

Mais do que uma história de amor entre dois amigos de infância, é uma história de afetos e da essência de uma verdadeira amizade que se inicia na infância e se prolonga pela vida fora. Também aborda a temática da diferença, a forma como as diferenças entre as pessoas muitas vezes as podem unir para sempre ou interferirem com as relações que estabelecemos com os outros. E o bullying: na infância, Miguel vive num dilema. Se por um lado sente falta de ter amigos, por outro lado não quer fazer amigos por ter medo de ser gozado por ser pobre.

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