“Gosto de deixar as pessoas a pensar, (…) dar-lhes a escolher uma perspetiva de determinada personagem com a qual se identificam”

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Luís Vilas Espinheira acaba de lançar o romance “Prenúncio de Morte”. Um livro sobre uma família do norte, tal como o próprio autor.

1 – Quando te surgiu a vontade de escrever e o que te levou a escrever este primeiro livro?

Eu sempre gostei de ouvir e de contar histórias. Ler livros, ver séries, filmes e novelas, ter um olhar crítico sobre outras realidades. Comecei a escrever por passatempo. Há quem leve o cão a passear, quem trate do jardim, quem jogue futebol com os amigos. No meu caso, usava os meus tempos livres para escrever sobre pessoas que inventava, o seu passado e os seus fantasmas.
Sempre tive uma posição bem definida sobre determinado tipo de assuntos. E, na altura (2015), quando comecei a escrever o livro, quis transpor esses assuntos para a vida das minhas personagens.

2 – De que trata este novo livro, podes resumir um pouco da trama?

Este livro fala sobre a vida, tal e qual como ela é, com um misto de drama, humor e mistério necessário para que seja uma história diferente e de leitura agradável, na minha opinião. Trata temas polémicos como o confronto de gerações, a prostituição, a traição, a homossexualidade, a violência doméstica, o álcool e as drogas leves. Todos estes assuntos em torno de uma família muito rica que, lá por o ser, não significa que não tenha esqueletos no armário. Começa em 1984 e existe uma prolepse até 2015, o tempo atual da trama. Neste espaço de tempo, muita coisa mudou. Hábitos, casamentos, opiniões, posições, estatutos, amizades e vícios.
Cada personagem tem uma personalidade muito própria e vê-se confrontada com realidades que as desviam de uma vida convencional. O que acaba por dar vontade de ler, já que as vidas convencionais estão cada vez mais a deixar de ter piada…

 

3 – Como é que te veio a inspiração para o fazer?

As pessoas. As que me rodeiam e não só, o que não quer dizer que haja personagens inspiradas em pessoas reais. Poderá haver gestos, posições, atitudes e opiniões, o que não quer dizer que eu concorde com elas ou não. Mas acho que qualquer autor, instintivamente, vai inspirar-se no núcleo de pessoas que conhece quando escreve ficção. Ninguém está ali retratado, nem para o bem nem para o mal. Se alguém se identificar, como se costuma dizer, é pura coincidência. A ideia não foi transpor pessoas reais para a história fictícia. Isso não faz parte do meu processo criativo.
Acima de tudo, gosto de debates e de choque de opiniões. E as minhas personagens são todas muito diferentes e discordam muito umas das outras. E todas as conversas filosóficas a beber copos de vinho até às 4h da manhã ou discussões que leio nas redes sociais (onde às vezes participo) são uma grande fonte de inspiração também. Gosto que de deixar as pessoas a pensar e, no caso do meu livro, dá-las a escolher uma perspetiva de determinada personagem com quem se identificam.

4 – Que tipo de literatura gostas mais e quais os autores que podes destacar?

Gosto de livros que me surpreendam, que não sejam previsíveis. Sobretudo gosto de histórias fictícias. É inevitável não falar da J. K. Rowling e da saga “Harry Potter”, que me deixou um caco quando acabei o último livro, mesmo já tendo visto os filmes antes e saber os finais. Identifico-me muito com a Agatha Christie em termos de escrita e em termos de criação de personagens, tendo sido a autora que mais li. Na literatura nacional, medalha de ouro para José Saramago, apesar de ter noção de que preciso de ler mais dele. Gostava de ver o Ricardo Araújo Pereira a escrever ficção, acho que ele é um génio e que tem uma escrita muito inteligente. Talvez o português vivo com a melhor escrita que me passou pela vista. Eça de Queirós, Miguel Sousa Tavares, Richard Zimler, Fátima Lopes e Júlio Magalhães são nomes aos quais já dediquei muitas horas de leitura.

5 – De que forma vais promover o livro?

Essa é fácil: redes sociais. Já comecei o meu trabalho de promoção: em conjunto com uma amiga muito talentosa, a Eva Mina, apresentei as minhas personagens uma a uma. Ela fazia as ilustrações e eu apresentava-as com um resumo que deixava sempre quem lia a pedir mais. Diretos no Facebook, lançamentos, falar com as pessoas, ouvir o público. Há muito por onde se possa promover o livro.

 

A verdade é que já escrevi o segundo livro e já comecei o terceiro. O segundo é uma história independente do primeiro e o terceiro é uma espécie de encontro entre personagens dos outros dois, que tiveram aquilo a que se chama “finais abertos”. Mas claro que não vou ficar por aqui. Escrever é um vício e aperfeiçoar a técnica é um objetivo diário.

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