“É uma história sobre a essência de uma verdadeira amizade”

Ana Ribeiro está de volta com “Ao teu lado”, um novo romance sobre dois amigos de infância, que se envolvem amorosamente. A jovem autora revela o que a levou a escrever este livro e reflete sobre os constrangimentos que cerceiam os novos autores.

Ana Ribeiro

“Ao teu lado” é o teu novo romance. De que trata este título?

Mais do que uma história de amor entre dois amigos de infância, é uma história de afetos e da essência de uma verdadeira amizade que se inicia na infância e se prolonga pela vida fora. Também aborda a temática da diferença, a forma como as diferenças entre as pessoas muitas vezes as podem unir para sempre ou interferirem com as relações que estabelecemos com os outros. E o bullying: na infância, Miguel vive num dilema. Se por um lado sente falta de ter amigos, por outro lado não quer fazer amigos por ter medo de ser gozado por ser pobre.

Este livro é, de certa forma, um complemento ao teu primeiro trabalho. Como te surgiu a ideia de o fazer?

Esta história é o resultado de um desafio que me foi proposto em 2011 depois de ter apresentado o meu primeiro livro numa feira do livro, em Chaves. Algumas professoras que me conheciam desde a infância e outras do pré-escolar, desafiaram-me a sair um pouco da minha zona de conforto, a poesia, para escrever uma história para crianças. Senti-me algo renitente em aceitar o desafio porque não tinha muita experiência de escrita, escrever histórias não era o meu forte. Achava que não tinha grande imaginação e tinha consciência que escrever prosa era algo mais exigente: tinha que olhar para a pontuação, construção de texto, contextualizar a trama, etc. Mas como não estava a trabalhar em nenhum projeto novo, decidi aventurar-me. “Ao teu lado” acabou por ser um complemento do livro anterior porque, quando escrevi a história de “Um amor inexplicável”, não quis logo despedir-me da Ana e do Miguel. Por isso, decidi trazê-los para o meu romance de estreia, de uma forma muito discreta e sem revelar muito sobre eles e sobre a sua história.

Um ano e meio depois do lançamento de “Um amor inexplicável”, que balanço fazes do teu percurso literário?

Tem sido bastante positivo. Tenho evoluído e aprendido imenso. Tem-me trazido desafios interessantes, quer a nível literário onde me tem permitido experimentar diversos géneros literários, quer a nível pessoal através da oportunidade de conhecer e contactar com outros autores e pessoas novas.

Como jovem autora, que dificuldades e apoios tens encontrado no teu caminho?

O incentivo e apoio familiar, dos amigos e pessoas que me conhecem – desde sempre – são muito importantes, nesta jornada. É bom saber que podemos contactar com as pessoas que mais gostamos. A maior dificuldade que tenho sentido é em conseguir fazer chegar as minhas obras ao mercado livreiro. Na realidade, este apoia-nos muito pouco porque prefere dar destaque às obras de figuras públicas que lhes garantem lucro imediato. É pena que um jovem autor não tenha acesso às mesmas ferramentas de divulgação e apoio que essas pessoas que já são conhecidas. Isso leva a que muitas vezes se percam jovens talentos porque acabam por desistir de arriscar e de perseguir o sonho de publicar uma obra por falta de apoios. Falta os meios de comunicação darem aos jovens autores a oportunidade que merecem e que ainda não têm para mostrarem o seu trabalho. É lamentável a desigualdade de oportunidades.

Que feedback tens recebido dos teus leitores? Esta interação é estimulante para ti?

O feedback tem sido sempre positivo e é importante e estimulante. Grande parte do sucesso de um livro é feito por quem o lê e se identifica com o mesmo. São eles que ditam o percurso de uma obra. Gosto de interagir com os leitores e de pôr-me a mim e as minhas ideias à prova. Ver o que mais lhes agrada, lançar desafios. É pela interação com quem nos lê que tudo começa.

E que planos fazes para o teu futuro? Escrever vai continuar?

Continuo a procurar a melhor forma de contornar o desemprego. Infelizmente sou mais uma jovem licenciada a contar para uma infeliz estatística: a do desemprego jovem. Quanto à escrita irei continuar porque é algo que amo fazer e me completa. No entanto, depois da edição desta obra vou fazer uma pausa. Este novo livro exigiu muito de mim, foram muitos anos dedicados a esta história. A fase de revisão foi muito longa porque a obra precisava de muitas melhorias e fiquei exausta, porque passei muitas horas em frente ao computador. Preciso de parar um tempo. Mas conto voltar porque a escrita é como o ar que respiro.

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