O fantasma de Natal da tia Emília

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Desde que se recordava, aquele canto da sala era o local oficial da árvore de Natal. E esta era sempre montada no fim-de-semana mais próximo do dia 8 de Dezembro, sempre desligada no dia 7 de Janeiro (dia seguinte ao dia de Reis) e desmontada no sábado seguinte (se este não fosse o próprio dia 7 de Janeiro). Tradições de família, que se foram cristalizando ao longo de décadas. Este 10 de Dezembro era um dia de sol e céu azul, que dissimulava o frio que se sentia do lado de lá dos vidros das portadas de madeira, pintadas de branco. Alberto e o seu sobrinho adolescente olhavam, do meio da sala, o esqueleto verde-plástico da árvore tida como ecologicamente responsável, que acompanhava a família há vários anos. Avaliavam a simetria com que os galhos foram por eles abertos, o ângulo com que a luz incidiria através da janela. Antecipavam os ornamentos e luzes que, dali a uma horas, a tornariam exuberante.

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Era uma vez o Natal

Ele viu-a. Mas ela não o viu. Porque tudo o que ela conseguia ver eram fantasmas, saídos e mantidos numa escuridão que a envolvia e não lhe dava tréguas. Ele viu-a. Dias a fio ele viu-a, deambulando a caminho das obrigações que a vida lhe impunha. A caminho de cada lado, nenhum que lhe permitia manter o mínimo de condições para seguir em frente. Mais ninguém a viu, mas ele sim. Ele viu, escondido atrás da velha sebe que separava a casa dela do resto do mundo, quando ele se foi embora. Entregando-a sem misericórdia ao desespero da sorte que teimava em lhe fugir. Ele viu o que o resto do mundo teimava em ignorar, viu os encolher de ombros alheios, os olhares de pena que teimavam em se esconder e de nada lhe serviam, a ela.
Ele viu-a e sentiu o seu pequeno coração apertar-se a cada pegada profunda que os pés dela desenhavam na neve branca do caminho que percorria todos os dias. Era inverno e era Natal. E por isso havia neve.

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“Este livro foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda”

Bruno Vilas é o autor de “O berço do fim”, romance em que os personagens vivem um ardente protagonismo. Conversamos sobre este seu primeiro livro e projetos futuros.

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Este é o seu primeiro livro? O que o motivou a escrever este título?

Este é a minha estreia como romancista, mas a escrita já vem de longa data. Mas só agora saltou cá para fora, para o público em geral, uma espécie de caixa de pandora apocalíptica. “O berço do fim” foi escrito para ser um clássico, não um livro da moda, um livro que será saboreado daqui a 100 anos como se fosse atual, esse é o grande objetivo da minha escrita, criar um buraco no espaço-tempo, onde as pessoas ficam presas durante o tempo em que lêem o livro.

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O meu querido dezembro!

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– Adoro o mês de dezembro! – exclamou a mãe.

– Deus me livre! Que horror! Só frio, chuvas, neves que não nos deixam passar na estrada! – gritou o pai.

– Claro que isso ninguém gosta, mas adoro Dezembro! – disse a mãe muito sonhadora.

– Iá! Eu também adoro dezembro, quando fazem desconto na net e oferecem 5 gigas de net para o meu telemóvel! – disse Bianca, enquanto mexericava no telemóvel.

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