“Os peregrinos são os reais protagonistas desta história”

Nuno Sousa e Maria Carmen García são os autores de “Fátima – 100 anos de fé”, compilação de imagens e textos que ilustram uma peregrinação a este santuário. Os dois explicam que os verdadeiros intérpretes desta história são os peregrinos.

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De onde surgiu a ideia para elaborar este livro?

Nuno Sousa: Este é o meu segundo livro sobre peregrinações, depois de “Olhares de um Peregrino no Caminho de Santiago”, que fiz com o Luís Ferreira. É importante mostrar como é uma peregrinação com peregrinos reais. Todas as fotos que aparecem em “Fátima, 100 Anos de Fé” são instantâneos de momentos que aconteceram durante os dias que passei com o grupo de peregrinos de Fernão Ferro. Os textos que acompanham as fotografias são depoimentos escritos pelos peregrinos durante o percurso. Queremos deixar aqui uma referência à preciosa ajuda do Padre Marco Belchior, que escreveu o prefácio do livro, da Conceição Gonçalves que nos conta como nasceu o Grupo de Peregrinos de Fernão Ferro e do Luís Ferreira, um amigo que nos revela no seu depoimento a sua interpretação de “ser peregrino”.

“Fátima, 100 Anos de Fé” é uma simbiose entre imagens e textos. Como decorreu a colaboração entre os dois autores?

Maria Carmen García: “Fátima, 100 Anos de Fé” é o nosso segundo trabalho em conjunto e só isso revela a enorme empatia gerada logo no início da minha colaboração no primeiro livro do Nuno, “Olhares de um Peregrino pelo Caminho de Santiago”. Nessa altura, há pouco mais de um ano, participei como tradutora da edição bilingue deste livro e conseguimos desenvolver o projecto do início ao fim sem nos encontrarmos uma só vez. De facto, só nos conhecemos no dia do lançamento do livro, mas este aspecto não interferiu no trabalho desenvolvido, que correu muito bem e permitiu que quiséssemos repetir a experiência de um projecto em conjunto, desta vez em co-autoria. Em “Fátima, 100 Anos de Fé” o Nuno é o autor das fotografias e os peregrinos de Fernão Ferro os autores dos depoimentos que deram, posteriormente, origem às frases que acompanham as fotografias. O meu papel como autora consistiu em dar forma ao livro, moldar os textos que nos chegaram, na maior parte das vezes em forma de pensamentos, rearranjá-los, dignificando-os e encontrando para cada um o seu lugar junto da fotografia certa e a edição dos contributos das pessoas a quem solicitámos colaborar nesta obra.

Nuno Sousa: Trabalhar com a Carmen é trabalhar com qualidade. A sua experiência na área da tradução, da revisão e da paginação é longa e com o lançamento de “Fátima, 100 Anos de Fé” chegou o momento de ter também visibilidade como autora. O seu empenho na recolha e tratamento dos depoimentos e a elaboração dos textos que compõem a obra foi sem dúvida uma grande valia para o nosso projecto.

Foi fácil compatibilizar imagens e textos? Como é que correu a recolha das imagens que o compõem?

Maria Carmen García: As fotografias, belíssimas, que aparecem em “Fátima, 100 Anos de Fé” são todas da autoria do Nuno. Quando o projecto começou a ganhar forma sabíamos que teria por base as fotografias tiradas ao longo do percurso desde Fernão Ferro até ao Santuário de Fátima. O grupo de peregrinos que fez a peregrinação neste 12 de maio não podia ter aderido melhor ao nosso pedido de colaboração, ao autorizar-nos que os fotografássemos. O único senão foi o tempo chuvoso que se fez sentir durante quase todo o percurso, criando as dificuldades inerentes. No início da peregrinação, entregámos a cada participante uma folha de papel com o nosso pedido de contributo, um pensamento, uma reflexão, uma frase que quisessem partilhar connosco e que faria parte do livro. E de facto, como autores, não podíamos estar mais gratos a este enorme grupo de pessoas, que de uma forma tão generosa se envolveu, entregando-nos não apenas o seu contributo em palavras, mas também o seu coração. Chegámos a emocionar-nos, o Nuno e eu ao apercebermo-nos até que ponto aquelas pessoas se estavam a entregar ao projecto. E com tudo isto, fazer corresponder textos e fotografias foi muito mais fácil do que estávamos à espera. Eu não participei na peregrinação, mas é verdade que uma imagem vale por mil palavras e muitos casos houve em que parecia que aquele pensamento e aquela fotografia estavam ali à espera um do outro. Foi muito fácil e muito emotivo.

Aqui relatam a experiência de peregrinar em grupo até Fátima. Como descrevem essa aventura? São vocês próprios peregrinos?

Nuno Sousa: Sim, eu sou peregrino. A Carmen ainda não é, mas ando a convencê-la e é possível que numa das próximas peregrinações já nos faça companhia. E como peregrino tenho orgulho em dizer que este livro só podia ser feito por peregrinos. Já percorri uma parte do Caminho de Santigo, o caminho português, francês e Finisterra e já fiz por duas vezes a peregrinação a Fátima. Desde Fernão Ferro até ao Santuário são 170 quilómetros. Partimos sempre ao dia 8 de maio para chegar no dia 12. A peregrinação a Fátima é, sem dúvida, difícil. Com tantas pessoas para acomodar, encontrar locais para dormir é, por vezes complicado. Orientar e velar pela segurança de tantas pessoas que caminham pela beira das estradas com trânsito, durante tantas horas, em condições climatéricas tantas vezes adversas, como sucedeu este ano, em que não parou de chover e dificultou a tarefa de fotografar, faz desta peregrinação uma grande aprendizagem e uma enorme prova de resistência.

Comemora-se em 2017 o primeiro centenário das aparições de Fátima. O espírito dessa comemoração está também presente no livro?

Maria Carmen García e Nuno Sousa: Quando começámos a pensar no livro como um projecto para concretizar, verificámos que a data podia ser propícia à sua divulgação, mas na verdade, à excepção de um parágrafo no interior do livro em que a comemoração do centenário das Aparições é mencionada, não há qualquer outra referência a este acontecimento.

Que projetos têm para a sua divulgação?

Nuno Sousa: A divulgação de “Fátima, 100 Anos de Fé” passa pelos autores, pela editora e pelos próprios peregrinos. Atendendo às características deste projecto, acreditamos que o poder do passa-a-palavra vai ser muito importante. Nomeadamente por parte dos peregrinos, que são os reais protagonistas desta obra, que sentem muito orgulho em ser peregrinos e que através destas fotografias podem transmitir essa vivência e explicar porque fazem esta caminhada até Fátima.

 

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