“Este livro é uma obra que de certeza irá contagiar o leitor”

“O peregrino” é o novo romance de Luís Ferreira, com lançamento agendado para o próximo dia 5 de novembro. Fomos conhecer os contornos deste título, que marca o regresso do escritor, conhecido pela sua paixão pelo Caminho de Santiago, à ficção.

Luís Ferreira

Depois de “Entre o silêncio das pedras” estiveste três anos sem publicar nenhum novo romance. Porquê este silêncio?

Desde o “Entre o silêncio das pedras” e este novo romance existiram dois livros, “Olhares de um peregrino no Caminho de Santiago” e o “Diário do Xavier Lopes”, mas na verdade não existiu nenhum trabalho de fundo. A envolvência do “Entre o silêncio das pedras” levou a muitas apresentações e isso obrigou a desviar o tempo e o foco para a disponibilidade de um novo projecto e quase que fiquei refém de um livro, tudo girava em torno daquele. Por outro lado, tentei concentrar-me na escrita e fiz diversas tentativas para iniciar algo, mas nada correspondia ao que desejava e me preenchesse como autor. Talvez tenha vivido a falta de inspiração para escrever algo novo. De facto tornou-se a maior travessia do deserto que alguma vez tive, mas provocada por uma luta em querer fazer vingar a obra referida, contra muitas barreiras e sentindo muitas decepções. No entanto, um livro é aquilo que o leitor quer e eu como autor sou também o reflexo disso. É muito tempo investido e trabalho despendido para depois o mercado estabelecer outras regras. Mas é algo que já está ultrapassado.

Voltas agora com o “O peregrino”, de que trata este novo romance?

Considero o “O peregrino” como o meu melhor livro, não por ser o último, mas porque é uma história verdadeiramente apaixonante. O livro tem uma personagem principal chamado Diogo Filipe, um prestigiado CEO de uma empresa de consultoria financeira, um homem que possuí tudo. Este homem embarca numa viagem para encontrar a sua natureza e acaba por descobrir o seu maior medo. “O peregrino” é um livro em que transforma o viajante incomum, retratado na viagem do personagem. Digo com um certo orgulho pessoal que este livro é para mim uma obra que de certeza contagiará o leitor, onde a crítica e a ironia caminham de mãos dadas. Pelo menos quem já o leu, considerou um romance que deve ter destaque neste final de ano.

o-peregrino

O Caminho de Santiago é uma das grandes referências das tuas obras literárias. O que encontras nele que te desperta tanta vontade de escrever?

Quando estamos verdadeiramente apaixonados por uma coisa, dificilmente conseguimos encontrar forma de a largar. Assim se passa comigo, o Caminho é algo que me prende, que me seduz como uma droga. Necessito de estar anualmente no Caminho, necessito de sentir o Caminho durante um certo período de tempo para encontrar o meu equilíbrio. Nele encontro a liberdade que necessito, a paz, aquele escape que necessito e que me restabelece as forças para a vida quotidiana. Corpo e mente sãos permitem a concentração, o fluir de ideias e sendo o Caminho algo tão especial, tão rico (ao nível de histórias), surge de igual modo como uma fonte que sacia a minha sede criativa. Por fim e de certa forma, retribuo ao Caminho tudo aquilo que ele me dá, através dos meus livros.

Como te inspiras para escrever? De que forma nasce o teu processo criativo?

Mente sã é o primeiro passo, pois para desenvolver o meu processo criativo necessito acima de tudo de possuir um certo equilíbrio na minha vida, ter a cabeça livre para desenvolver a imaginação e a criação. Estar a forçar não é comigo, daí que nem todos os momentos sejam os momentos certos, nem todos os dias são dias para desenvolver algo que seja realmente interessante e criativo. Quando acredito em algo, luto, desenvolvo, quando não… abandono. Falando de outra forma, só consigo criar se encontrar satisfação naquilo que estou a fazer, quando sei que existem outros olhos que dão valor ao que faço e aí a escrita solta-se, torna-se apaixonante, envolve-me de tal forma que me torna prisioneiro do meu próprio processo. Depois de embalar, estou e torno-me feliz, solto-me, deixo fluir as minhas ideias, naquele mundo só meu. Naturalmente que também sou disciplinado, estabeleço o caminho, coloco tudo no papel, crio um guião, sei como, quem, quando e onde. Pinto mentalmente cenários e vivo durante uns tempos afastado da realidade.

Para quem escreves? Para um público mais interessado na temática jacobeia ou é mais abrangente do que isso?

Escrevo para quem gosta de ler. Pelo facto dos meus últimos livros abrangerem a temática Jacobeia, pode-se pensar que o grosso dos meus leitores, seriam pessoas ligadas ao Caminho. Descobri com o “Entre o silêncio das pedras” que escrevo para quem gosta de ler uma história, para quem procura uma história, para quem procura um livro. Como qualquer autor e independente do tema central dos meus últimos livros, procuro abraçar o maior número de leitores e por isso os meus livros, independente do tema já referido, são e tornam-se muito mais que isso. Continuo a sonhar e a acreditar que existe espaço no mercado livreiro para um autor como eu, desde que assim o queiram os leitores.

Para que datas tens previsto o lançamento de “O peregrino”? Já podes revelar um pouco do que vais fazer para a sua promoção?

O livro vai sair no próximo dia 5 de novembro. Neste momento procuro encontrar o melhor Caminho para a promoção do livro, para o dar a conhecer da melhor maneira a obra e chegar ao maior número de pessoas. Não vivo da ilusão do Facebook, se fossem só números tinha a tarefa facilitada face ao número de likes da minha página oficial. Por isso, com todo o apoio da editora e de todos os que verdadeiramente acompanham o que escrevo, irei encontrar a melhor solução para contornar as muitas portas que se fecham e todos os obstáculos que surgem. Costumo dizer que enquanto acreditar, enquanto acreditarem nos meus livros e na minha escrita, continuarei o Caminho e de certeza que alcançarei o patamar onde o “O peregrino” deve estar. Pelo menos, não custa sonhar.

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Um pensamento sobre ““Este livro é uma obra que de certeza irá contagiar o leitor”

  1. Obrigada amigo LUIS pela ideia que nos dás sobre o teu novo livro, deve ser maravilhoso, não só pelo conteúdo mas também pela tua escrita qaue se sente que é feito com amoe \e muita sensibilidade desejo do fundo do coração o maior sucesso e que DEUS nunca te deixe ser o escritor que és BOM CAMINHO.

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