“Este livro surgiu para ajudar a valorizar as coisas mais simples”

Sofia Cardoso assina o título “2015 ao pormenor”, publicado pela Pastel de Nata Edições. Conversamos com esta autora para saber o que a motivou a escrever este relato autobiográfico, que pretende ajudar todos os que enfrentam situações difíceis.

sofia cardoso

Porque resolveu escrever este livro?

Perante os desafios da vida, sobretudo os adversos, considero que só temos duas opções: ou nos fortalecemos ou nos deixamos abater. Eu sempre reagi e segui o melhor que consegui. A resistência e a persistência têm sido as minhas armas e resolvi aliar um sonho adormecido à vontade de superar tempos conturbados. Este livro surgiu, por isso, da necessidade de colocar em prática uma filosofia em que acredito e que tenho vindo a cultivar, de forma crescente e cada vez mais consciente, que consiste, basicamente, na valorização diária, prática, efetiva, das coisas mais simples. Na verdade, muitos defendem e aplaudem o gozo intenso e positivo da vida no dia-a-dia, mas sempre achei que são poucos os que conseguem praticá-lo verdadeiramente. No fundo, penso que queria provar, pela minha própria experiência, a mim mesma e ao resto do mundo que isto não é só filosofia em teoria e que é possível, de facto, desencantar um pormenor positivo, real, de cada um dos nossos dias, desde que saibamos valorizar tudo o que nos faz sentir e sorrir.

De que forma vê a sua escrita? Como um prazer, uma forma de influenciar os outros, de se dar a conhecer ou como uma forma de terapia?

A minha escrita tem um cunho pessoal e autobiográfico inegável, a par de muita entrega e sentimento, o que revela muito da pessoa que sou, ainda que dar-me a conhecer nunca tenha sido a intenção inicial. A escrita começa por ser um prazer que com as circunstâncias da vida acaba por se ir tornando numa forma de terapia, ainda que quase inconsciente, uma vez que sempre me serviu de meio de desabafo, de expressão de estados de espírito, de convicções e sentimentos. Só que a partir do momento em que comecei a tornar público aquilo que vou escrevendo, sobretudo após a criação do blogue, naturalmente que o meu objetivo último passou a ser conseguir chegar aos outros, não tanto no sentido de os influenciar, mas muito mais no intuito de contribuir para que quem me lê se sinta bem com o que tenho para partilhar. Porque há sempre quem se identifique com situações por que já passámos ou quem se refugie nas vivências dos outros para fugir às suas.

2015-ao-pormenor

Quais são as suas influências?

Não me vinculo a autores específicos, famosos, clássicos ou na moda. Sou leitora por convicção, prazer e paixão desde que me conheço a saber juntar as letras. Daí que tenha sempre um livro à cabeceira ou na mala e não tenha critério para o escolher. Leio o que me vem parar às mãos, o que me recomendam, o que o meu instinto sugere ser bom e posso mesmo assumir que nem tenho escritores favoritos. Tudo é válido, tudo tem o seu mérito, desde que bem escrito. O que acontece é que posso acabar por apreciar mais ou menos o conteúdo, como é óbvio e ainda assim não rotulo nenhum autor. Na linha da minha escrita e da minha própria história e filosofia de vida, gosto sobretudo de histórias reais ou pelo menos verosímeis, romanceadas ou não, feitas de experiências de vida, de viagens, de relacionamentos humanos, com que possa sonhar, sentir, viajar…

Qual a expectativa e onde espera chegar com o “2015 ao pormenor”?

Honestamente, não sei se já tive tempo de refletir seriamente sobre isso. Ao escrevê-lo, a expectativa era a de chegar à publicação e vê-lo nas mãos de todos quantos o inspiraram, antes de qualquer outra meta. Neste momento, espero que o meu ano de 2015 inspire muitos anos de outras vidas, sobretudo de quem luta com dificuldade para conseguir cultivar uma atitude positiva perante as contrariedades do destino. Em última análise, gostava de chegar ao maior número de pessoas e fazer a diferença na vida de algumas delas. Sempre disse que se tivesse uma só pessoa que gostasse de ler o que escrevo, continuaria a escrever. Ora, se este livro me provar que, muito para além disso, contribui positivamente para o sorriso ou a felicidade de alguém, já superei qualquer expectativa que inicialmente pudesse ter.

Para lá deste título, já tem planos para outros livros?

Antes de ter planos, já sinto a “pressão” (das boas) de quem, conhecendo-me bem, já espera por isso. De qualquer maneira, posso adiantar que estou a esboçar umas ideias novas, menos viradas para dentro, mais focadas nos outros e no que observo à minha volta, provavelmente num estilo mais narrativo e romanceado, que pretendo concretizar num novo e diferente projeto. Para além desse plano ainda embrionário, gostaria eventualmente de ver compiladas algumas das crónicas originais, mais de uma centena, do meu blogue, de modo a levá-las mais longe e torná-las mais acessíveis a quem não está tão familiarizado com as novas tecnologias.

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