“Quando me sento a escrever, sinto que o mundo me pertence”

Carolina Pascoal é a autora de “Para sempre não é muito tempo”, novo título da Capital Books. As relações amorosas são o epicentro desta história, que tem Coimbra como cenário da ação e surpreenderá os leitores pelas muitas e inesperadas reviravoltas.

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Este é o teu primeiro livro? De onde veio a inspiração e a necessidade de escrever?

“Para sempre não é muito tempo” é o meu primeiro livro. A ideia para a história surgiu do nada, muito repentinamente, certa noite em que me pus a pensar até que ponto uma pessoa apaixonada consegue ir pelo amor. Não precisamos verdadeiramente de um motivo ou de um contexto para pensar no amor, ele acompanha-nos todos os dias sob as mais variadas formas. Assim surgiu a minha personagem masculina, o Gonçalo, e a minha personagem feminina, a Leonor. Tudo aconteceu quando vim para Lisboa à procura de estágio profissional. Sentia-me um bocadinho sozinha, porque todos os meus amigos estavam nas aulas ou a trabalhar e como me sobrou muito tempo agarrei-me à história com garras e dentes. Comecei no dia 23 de novembro e no dia 26 de dezembro estava a imprimi-la numa reprografia na Alameda. Escrever fazia-me sentir mais acompanhada. Além disso escrever sempre me foi especial, por me dar uma sensação de controlo. Não controlamos grande parte das coisas que acontecem na nossa vida, porque há muito fatores externos que fazem com que nos fujam. Mas quando me sento a escrever, quando dou vida a pessoas (não tão) imaginárias, quando descrevo outras ruas e cidades e quando faço nascer sentimentos…sinto que todo o mundo me pertence.

O enredo desta história de amor dá muitas guinadas, há surpresas em todos os capítulos. Como é que imaginaste esta história?

Quando comecei a escrever a história já sabia o final que queria que tivesse. Não sabia ainda, no entanto, muitas das coisas que vieram a acontecer. Por vezes falava com os meus amigos e ia-lhes dando alguns detalhes. Eles ficavam muito entusiasmados, queriam sugerir muitas ideias. Nenhum deles gostava do final que eu tinha em mente e argumentavam porque não deveria acabar assim, mas sim assado. Foi muito engraçado ver como as pessoas entravam na história como se se tratasse da sua própria história. Da sua própria vida. E queriam ajudar-me a tornar o destino das personagens mais justo, dentro das suas noções de justiça. Eu aceitei algumas das opiniões, aliás, esta história foi escrita por mim e por todas as pessoas que me ajudaram a escrevê-la, daí as guinadas e as surpresas. Iam-me ocorrendo novas peripécias, que apimentassem a história, também com o intuito de prender os leitores. Todos nós temos um certo apetite para o drama, é o que acho. Mas quanto maior é o drama maior é a vontade encontrar o tão desejado final feliz. E é claro que as minhas próprias experiências ajudaram a escrever a história, acabamos sempre por transportar muita da nossa bagagem para as nossas histórias

Porque escreves – e refletes – sobre o amor?

Luís de Camões dizia que “O amor é fogo que arde sem se ver”. Eu gosto muito de Camões, mas nisto preciso de discordar com ele. O amor é fogo sim, mas quando arde, arde para que todos possam ver. Como se andássemos no meio de faíscas coloridas e muito brilhantes. E é por isso que escrevo sobre o amor. Porque é algo bonito e que nos acompanha todos os dias, sob várias formas. No modo como amamos a nossa família, os nossos amigos, os nossos cães ou gatos. E na forma romântica como nos entregamos uns aos outros. Até os sentimentos negativos como o ódio, o ciúme ou a inveja, são formas de amar. Embora seja amar ao contrário. Algo tão bonito e tão presente merece sempre o nosso tempo e a nossa reflexão.

 Que ideias tens para a promoção do livro, para que chegue ao maior número possível de leitores?

Assusta-me um bocadinho pensar nisso. Porque enquanto estava a escrever esta história pensei muito poucas vezes em publicá-la. Acabei por fazê-lo porque os meus amigos e familiares me puxaram nesse sentido, e porque apaixonei-me de tal forma pelas personagens que quis que o mesmo acontecesse com as outras pessoas. Queria que os leitores se revissem nesta história, que se emocionassem com ela. E por vezes assusto-me com a possibilidade de não conseguir fazer-lhes chegar a mesma. Ou que não gostem. Escrever é o mais fácil, o difícil vem depois, com a divulgação. No fundo trata-se de uma escadaria muito alta, que devemos subir degrau a degrau, calmamente, para não cairmos por aí abaixo. Acho que as redes sociais são uma excelente forma de chegar às pessoas, por isso vou pegar por aí. Criar uma página pessoal, onde colocarei algumas imagens e passagens do livro, tudo da forma mais dinâmica possível. Como sou da Figueira da Foz vou contactar os órgãos de comunicação locais e o Casino da cidade, para que me ajudem com a divulgação. Posso também investir na divulgação através da multimédia, fazendo pequenos vídeos promocionais. O meu desejo de vir a apresentar o livro na Feira do Livro de Lisboa pode vir a ser uma grande ajuda, uma vez que é um espaço que atrai imensas pessoas que vão lá mesmo com esse propósito. De ver livros, conhecer novas histórias. E conto, claro, com a ajuda da minha editora, a Capital Books. E com todos os leitores, que são a minha maior esperança.

E projetos para novos livros, já há?

Existe um segundo livro, já escrito e arrumado na prateleira. À espera que um dia os nossos caminhos se voltem a cruzar.

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