“Tentei construir esta estória da forma mais doce possível”

Francisca Oliveira Martins é uma jovem autora portuense, que acaba de se estrear com “O acendedor de estrelas”, título publicado em dezembro pela Capital Books. Um conto infantil inspirado nos astros que se observam no céu límpido da serra da Estrela.

Francisca Oliveira Martins

Como te surgiu a ideia de escrever “O acendedor de estrelas”?

Numa noite de verão, num regresso de férias, depois de passar por casa da minha bisavó, numa viagem de Nelas para o Porto. O céu estava limpo, o ar quente e como muitos sabem, na zona da serra da Estrela, as estrelas parece que brilham sempre com mais intensidade, com mais luz e com a intenção de nos pôr a pensar. Como banda sonora desta viagem, vinha a ouvir Sara Tavares e uma música em especial “Eu sei”, fez-me criar toda esta estória na minha cabeça, que tentei construir da forma mais doce possível, para que o meu irmão, na altura com dois anos, tivesse mais um conto para ouvir antes de se deitar.

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Oíche Nollag – um conto de Natal da autora MBarreto Condado

ash tree

Estava sozinho, prostrado perto da enorme janela da sala, os olhos colados na escuridão da noite. Apesar de pouco distinta àquela hora, a paisagem lá fora tão sua conhecida continuava a acalmá-lo tal como sempre fizera mesmo nos momentos em que andara perdido na escuridão mais glacial que atormentara a sua alma. O vento frio que se fazia sentir e que agitava os freixos não conseguia penetrar no calor do seu lar, naquela casa onde o amor continuava a ser a chama permanente que os aquecia. Caminhou até à lareira onde colocou mais turfa, a sua única função naquela noite era mantê-la acesa e esperar. Contudo, o tempo parecia não querer passar ou então era ele que estava mais ansioso, afinal aquela seria uma celebração diferente, uma reunião de família onde pela primeira vez estariam todos juntos.

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Uma questão de escolhas

casal gay

A noite era negra, imperfeita e ácida, gelada como vidro fazendo parar os pensamentos. Naquela avenida infinita tudo estava parado no tempo, até a vida de André. Sentado no asfalto, encolhe-se e enrosca-se no casaco de malha que traz vestido para enganar o frio que lhe consome o corpo e a alma; parece ser a única coisa que lhe resta: não tem mais nada, nem um mero pedaço de pão. A fome, essa, já aperta há algum tempo; mas eles tiraram-lhe tudo, deixando-o sem nada: sem dinheiro, sem vontade de viver, sem alegria até a dignidade lhe roubaram. O direito a ser feliz, e a fazer as suas escolhas; o direito a um teto, a segurança e proteção; o direito a ter uma verdadeira família.

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Em “Lua do Lobo” existem segredos, magia e portais

MBarreto Condado apresenta publicamente o seu novo livro – “Irmandade da Cruz – Lua do Lobo” no próximo dia 12 de dezembro, numa edição da Capital Books. Fomos saber mais sobre este título, o primeiro de uma nova saga desta profícua autora, que se inspirou na sua própria experiência enquanto adolescente num colégio interno.

Madalena Condado

Este novo livro é uma história à volta de um grupo de alunas de um colégio interno, mas repleto de mistério e magia. Queres adiantar um pouco da obra?

Quando era mais nova, andei durante 10 anos num colégio em regime de externato, ai tive o privilégio de conhecer um grupo fantástico com quem criei uma relação de amizade tão forte que, com o passar dos anos, se transformou numa verdadeira irmandade. Esta ideia surgiu a partir daí. Mas em “Lua do Lobo” vamos encontrar muito mais. Aqui aprendemos a não acreditar em tudo o que nos rodeia e nos é dito. As pessoas são muito mais do que aquilo que aparentam ser, existem segredos ancestrais, magia, portais, protetores, mas o mal está sempre à espreita e é contra ele que as internas serão confrontadas. Aqui vamos encontrar ainda amores verdadeiros, ódios, intriga, morte e… bem, para saberem mais terão mesmo que abraçar esta irmandade com a certeza de que à noite, quando virem a lua brilhar, saibam que estão sempre protegidos pelos guardiões.

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