“Utilizei emoções da minha vida para escrever este romance”

Adelaide Miranda estreia-se na ficção este novembro, com o romance “Reflexos da Lua”, uma surpreendente história sobre um amor proibido, publicada pela Capital Books. Mas a autora angolana tem outra surpresa na manga, pois também vai publicar o “Guia prático da carapinha”, um manual direcionado a todas as mulheres africanas.

Adelaide Miranda

Como começou o seu interesse pela escrita? Já vem de há muito tempo?

Comecei por escrever poemas soltos nos cadernos da escola, até que no 10 ano ou 11 ano, a minha colega Helena Antunes ofereceu-me um livro em branco. Foi um presente de aniversário que me marcou muito. Ela disse-me que assim já não corria o risco de perder as minhas poesias. E a partir daí comecei a escrever com mais frequência. As minhas dúvidas, os meus conflitos, as minhas paixões… Desabafava com as folhas em branco. E quando fui apresentada à poesia de Florbela Espanca, identifiquei-me tanto com ela que nunca mais parei de escrever.

Quais os seus estilos e temas preferidos? Até à data, que livros já publicou?

Eu sempre fui uma poetisa. Adoro a poesia. Adoro a possibilidade de escrevermos o que nos vai na alma sem pensar muito na estrutura. Deixar os sentimentos brotarem no papel como vieram ao mundo. O meu tema preferido? O amor… Sem dúvida. Amor é o que nos faz mover. É o que nos faz sofrer, é o que nos faz sorrir, é o que nos dá força para continuar. Todos os sentimentos começam com o amor. Se não gostamos de alguma coisa, é porque amamos outra… Tudo se define no amor. No início deste ano publiquei um livro de poesia intitulado “Referências circulares – Exausta de mim” com a Chiado Editora. “Referências circulares” é uma série de seis livros de poesia, que nasceu da compilação dos poemas soltos que escrevi desde a adolescência. Depois surgiu um livro de poesias em inglês chamado “Bargained soul – Nothingness”, que publiquei na Inglaterra. O livro segue o mesmo perfil de “Referências Circulares”, tratando-se de uma compilação de poemas que escrevi desde que me mudei para a Inglaterra e o inglês passou a ser a minha segunda língua. Entretanto também participei na antologia “Utopia”, publicada pela Sinapis Editores.

Prepara a agora o lançamento de dois livros diferentes. Quer-nos falar deles?

Sim. Dois livros completamente diferentes. O “Guia prático da carapinha” surgiu em torno de uma brincadeira. Como sabe, sou de origem angolana. Desde que me mudei para a Inglaterra, que trato do meu cabelo. Sempre fiz pesquisas em torno dos produtos a utilizar e estilos de penteados. Neste momento, estou em transição de estilos de cabelo. Há alguns meses decidi deixar de alisar o meu cabelo quimicamente e reverter ao meu cabelo natural. Com essa decisão, iniciou-se uma pesquisa intensiva dos melhores produtos de cabelo; as melhores técnicas para evitar as quebras, uma vez que teria que dominar os dois tipos de cabelo, até decidir cortar o cabelo alisado e manter apenas o natural. Nos últimos anos, as mulheres africanas têm optado por utilizar o cabelo natural, principalmente algumas figuras públicas. Sempre houve muita crítica em relação ao cabelo africano e as mulheres africanas optam por utilizar o cabelo alisado para aderir aos padrões ocidentais e também para facilitar o manuseamento do cabelo. O cabelo afro é por natureza muito seco e caso não seja manuseado com alguns cuidados e os produtos adequados, torna-se indomável e leva a muitas lágrimas. Eu digo isto, porque sei! Então pensei que se eu tive a necessidade de pesquisar, de procurar técnicas, produtos, estilos de penteados para abraçar a minha carapinha, quantas mulheres africanas não estariam a passar o mesmo que eu? E se eu já tinha a minha pesquisa feita, porque não partilhar e evitar que elas tivessem que ir a vários websites, principalmente estrangeiros, fazer a mesma pesquisa que eu? Afinal a informação já exisitia e só tinha que a compilar.

carapinhacapa
Já “Reflexos da Lua” surgiu de uma sugestão por parte da Capital Books. Quando reviram o livro “Guia da carapinha”, sugeriram-me escrever um romance. Eu pensei e porque não? Sempre fui a contadora de histórias na minha família, mas nunca tinha experimentado escrever uma. Aceitei o desafio e comecei a escrever. Depois de escolher o tema, comecei e não consegui parar. Vinha do trabalho e depois de por o meu filhote na cama, sentava-me à frente do computador e entrava no mundo do personagem Renato. Enviei os primeiros capítulos à Capital Books e eles sugeriram escrevê-lo até ao final de outubro, para publicarmos ainda pelo Natal! Eu respondi que era uma loucura, era impossível escrever um livro em menos de um mês com todas as responsabilidades profissionais que tenho. Mas como adoro desafios e a história não me saía da cabeça, não consegui parar. Escrevi sempre que podia e acabei o livro no dia 31 de outubro. Um desafio que agradeço à Capital Books. Foi uma experiência maravilhosa!

O tema de “Reflexos da Lua” é controverso, porque se trata de um amor proibido, pelo menos pelos próprios protagonistas. Porque escolheu este tema?

O tema do livro foi sugerido pelo meu companheiro de toda a vida, que tanto me tem apoiado nesta nova jornada. Ele disse porque não fazes um romance com este tema? Ele achou que seria um tema controverso e eu adorei a ideia. Fiquei a pensar como o coonseguiria escrever na primeira pessoa e surgiu-me a ideia para o twist final. A partir daí comecei a escrever e não consegui parar.

Tem também a particularidade de aqui se ter colocado na posição da personagem principal, foi difícil fazê-lo?

Não. Não foi difícil. Foi a maneira mais fácil de o fazer. A melhor maneira de escrever sobre amor é contá-lo na primeira pessoa. Utilizei emoções da minha vida para escrever este romance. Foi fácil sentir as emoções da personagem principal porque eu, em alguma fase da minha vida, já as tinha sentido. Foi fácil trazer aqueles momentos e sentimentos de volta e descrevê-los. As personagens foram criadas com base em características de pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida. Para ser sincera, fiquei surpreendida com a facilidade que conseguir escrever o livro. Parece que a história já estava escrita e que alguém a estava a ditar. As ideias surgiram naturalmente e assim nasceu o livro.

E agora como vai fazer para promover este novo livro? Já tem ideias para isso?

A promoção vai ser feita maioritariamente nas redes sociais. Na minha página de Facebook, no meu Instagram e no meu Twitter. E vou apresentar o livro na RTP África, no programa “Bem Vindos”. Tenho planos de o promover em Setúbal, que é um dos locais onde a trama se desenrola. Enfim, fazer os possíveis para dar a conhecer o “Reflexos da Lua” e o “Guia da carapinha”. “Reflexos da Lua” vai dar muito que pensar aos leitores. Acho que todas as pessoas o devem ler porque vai fazê-las questionarem-se sobre a sua visão em relação ao assunto retratado no livro. E o “Guia da carapinha” é um essencial para a comunidade luso-africana. Este livro vai terminar a luta com a carapinha e iniciar uma dança simples com a dita cuja cabeleira farta!

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