“O inspetor Alexandre Melo e as suas histórias vieram para ficar”

Paulo Costa Gonçalves é o autor do recém-publicado “Sob estranhos céus”, a esperada sequela de “O herdeiro de Antioquia”. Sociólogo de formação, este autor transformou a sua paixão pelas ciências humanas nas aventuras do inspetor Alexandre Melo, uma espécie de Hercule Poirot contemporâneo bem cruzado com episódios da história.

Paulo Costa Gonçalves

O que te levou a escrever esta sequela?

Esta sequela surgiu a pedido dos leitores, que acharam que o cruzamento da história com a minha história poderia ir mais além. Quando escrevi “O herdeiro de Antioquia”, pensei que aquela história ficaria por ali, isto apesar de posteriormente reconhecer que tinham ficado algumas janelas e portas abertas para uma eventual sequela. Mas honestamente não foi essa a ideia inicial, apenas aconteceu porque o estilo que imprimo ao que escrevo é o de deixar, para a imaginação do leitor, vivências intrínsecas sobre o desenrolar dos acontecimentos. Acontece que os leitores pediram mais porque ficaram curiosos sobre o destino de alguns personagens e porque a leitura que fizeram era a de que alguns personagens não seriam bem aquilo que aparentavam ser. Em suma, na imaginação de inúmeros leitores talvez tivesse existido alguma manipulação de acontecimentos ao longo de “O herdeiro de Antioquia” e alguns personagens não fossem na realidade o que aparentavam.

Desta vez, o que acontece ao inspetor Alexandre Melo? Podes desvendar um pouco do trama do novo livro?

Apenas posso dizer que em “Sob estranhos céus”, o inspetor Alexandre Melo não só desvendará a verdadeira face de alguns dos personagens, como irá ainda vivenciar algumas novas experiências, como sejam a mediúnica e a post-mortem.

Como começou o teu percurso literário? Como é que um sociólogo se transforma em autor?

Durante toda a minha vida sempre li muito e todos os géneros literários. Lia porque gostava de ler, adquirir conhecimento e novas vivências. Com o gosto da leitura, veio o gosto pela escrita e aqui e ali escrevia umas coisas que partilhava com a família e alguns amigos. Com 50 anos de idade passei de uma situação estável para a mesma situação de milhares de portugueses, ou seja, desempregado ou empregado precário como colaborador pontual em projetos de investigação sociológica. E assim sendo acabei por tornar-me um escritor habilitado por necessidade. Quando pensei em enveredar pela escrita, a ideia foi a de criar um personagem e transformá-lo numa espécie de Hercule Poirot contemporâneo, pelo facto de sempre ter gostado de romances policiais. Juntei a essa ideia o meu gosto pela história. Com base neste paradigma, criei o enredo de “O herdeiro de Antioquia”, ou seja, parti da conquista da cidade de Antioquia, uma das páginas mais negras e obscuras da história da cristandade, acorrida em 1098 aquando da primeira cruzada.

Que feedback tens tido dos leitores?

Tem sido ótimo, tem superado em muito as minhas melhores expectativas. Acho que, como alguém já escreveu numa crítica, “a escrita simples, fluída e limpa à qual junta diálogos eficazes e perceptíveis, mesmo para os menos letrados” levou a que tenha tido feedback de leitores entre os 15 e os 94 anos de idade. Inúmeros leitores têm-me feito chegar algumas peripécias vividas durante a leitura da obra, a mais comum por exemplo, é o facto de terem entrado num transporte público e serem subitamente despertos no terminal e não se terem apercebido do local onde deveriam ter descido ou mudado de transporte.

 E o que fazes para conquistares mais leitores?

Tem sido sobretudo no boca-a-boca por parte de quem leu e, da minha parte, a utilização das redes sociais, onde vou publicando pequenos excertos das obras. Uma coisa que tem sido muito importante é o facto de muitos leitores me enviarem fotos a lerem o livro ou o ebook e ainda, em alguns casos, fotos do livro e como fundo os locais onde residem. A isto há ainda a acrescentar três coisas, a primeira é que os locais onde se passam os vários momentos do enredo serem reais, as pessoas conhecem-nos, estão descritos tal como são e isso faz com que os leitores se embrenhem mais facilmente na história. A segunda é que algumas das passagens mais marcantes são devidamente descritas como na realidade o são, ou seja, tenho o cuidado de investigar ao pormenor para as descrever e, por vezes, para escrever um ou dois parágrafos passei horas a ler vários autores ou investigadores. A terceira e talvez a mais importante, é a disponibilidade que tenho para com os leitores sempre que sou solicitado para me conhecerem pessoalmente, conversarmos e bebermos café ou nas redes sociais, onde interajo diariamente com os leitores. Todos os dias pela manha e à noite disponibilizo algum tempo para me dedicar a responder aos contatos feitos via redes sociais e mesmo que às vezes sejam dezenas, ninguém fica sem pelo menos um bom dia, um boa noite ou uma piada com um post.

Este estilo policial cruzado com romance histórico é o onde te pretendes fixar ou estás a ponderar explorar outras áreas?

Este vai ser o meu estilo. É algo diferente e com um vasto território para explorar. Como afirmei no lançamento de “O herdeiro de Antioquia”, não sei para onde vai este trem, mas eu quero ir nele. O inspetor Alexandre Melo e as suas histórias cruzadas com a história vieram para ficar, enquanto os leitores assim o entenderem. E não me vejo a escrever outro género porque considero que se escreve pouco entretenimento e é isso essencialmente o que eu quero, que os leitores passem umas horas entretidos com as minhas histórias e sem terem que estar a pensar nos grandes mistérios da vida.

Esta série de “O herdeiro de Antioquia” termina aqui ou poderás levá-la mais além?

Vai ficar por aqui, não vai haver uma trilogia. No entanto, reafirmo que as aventuras do inspetor Alexandre Melo resultantes do cruzamento da história com histórias continuarão enquanto os leitores assim o entenderem e em função disso posso adiantar que estou já a recolher material para o próximo livro. Que se baseará num facto praticamente desconhecido e que envolve um povo, apesar de não existirem provas evidentes, mas que segundo rezam as crónicas da época, quer castelhanas, quer muçulmanas, andou por este ponto mais ocidental da península ibérica sensivelmente entre 844 e 1147.

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