Noite de Samhain – um conto de Halloween de MBarreto Condado

halloween

Que maldita noite tinham escolhido para se aventurarem pelos caminhos de Sintra. Só esperava que o carro não lhes falhasse antes de chegarem a casa de Elisabete. Catarina conduzia, tirara a carta há pouco mais de um mês, mas fazia-o com uma fantástica mestria, nascera para aquilo. Tinha colocado a morada da amiga no GPS do seu telemóvel, mas naquela zona já ficara sem rede por diversas vezes e habituada como estava a estas modernices da tecnologia, nem se lembrara de imprimir um mapa, que funcionaria como solução alternativa…

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Vila de Óbidos alberga o primeiro hotel literário em Portugal

The Literary Man

The Literary Man Óbidos Hotel abriu em outubro é um hotel literário localizado nesta pitoresca vila medieval. Está instalado num edifício de 1830 (a antiga Estalagem do Convento) e está a transformar – um de cada vez – cada um dos seus espaços e quartos num acolhedor recanto literário. Guarda consigo 40 mil livros, provindos de Londres e que se juntaram ao espólio dos proprietários e de diversos doadores. Atualmente, cerca de uma dúzia de quartos (de um total de 30) já apresentam uma nova imagem, todos com tamanhos e equipamentos distintos, mas sempre com muitos livros à mistura. Os quartos são dedicados a grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea, como José Saramago e Lobo Antunes. O hotel literário de Óbidos está situado nas proximidades das muralhas da vila e conta ainda com um bar de gins, restaurante e esplanada. Por todo o lado, encontram-se milhares de títulos espalhados por prateleiras, que servem também inspirar tertúlias e eventos literários.

“Fernando Pessoa tem para nos dar tudo aquilo que quisermos”

Ricardo Belo de Morais é um especialista em Fernando Pessoa, que surpreendeu com a publicação de “O quarto alugado”, em 2014. Depois desta biografia ficcionada, o autor volta com “Fernando Pessoa para todas as pessoas”, obra de divulgação novamente centrada no poeta. Conversamos com Ricardo Belo de Morais para entender este fascínio, as motivações para os dois livros e outros projetos que guarda para o futuro.

Ricardo Belo de Morais

As suas obras aparecem umbilicalmente ligadas a Fernando Pessoa, de onde vem o seu fascínio pelo poeta?

Fernando Pessoa foi-me apresentado, nos meus 17 anos, por uma tia materna, que trabalhou no reator nuclear de Sacavém e foi professora de física e química do ensino secundário. Apesar de ser uma cientista, a minha tia Teresa percebeu desde cedo que as humanidades eram o meu destino vocacional e deu-me a ler Miguel Torga, Jorge de Sena, Albert Camus, Aldous Huxley, Florbela Espanca e, naturalmente, Fernando Pessoa. O meu fascínio por Pessoa começou aí. Quando o percebeu, a minha tia ofereceu-me a magnífica biografia pessoana “Estranho Estrangeiro”, de Robert Bréchon e o meu interesse e leituras pessoanas nunca mais pararam de crescer. Hoje olho por exemplo para o meu livro de estreia, “Paixão ou A Batalha Contra as Sombras”, uma antologia poética há muito esgotada e vejo ali muitas influências de Fernando Pessoa. Há três anos, depois de muitos revezes da fortuna em termos profissionais, tive a oportunidade de ingressar na equipa da Casa Fernando Pessoa. Senti-me como um urso no meio de um armazém de mel e obviamente aproveitei para lambuzar-me com os livros da biblioteca da casa-museu. Absorvi-os com voracidade e dei comigo a especializar-me cada vez mais. Ao mesmo tempo, apercebi-me que os incríveis trabalhos de investigadores pessoanos, ao longo de décadas, não chegavam ao público dito “médio”, com muitas aspas. Senti que vida e obra de Fernando Pessoa ainda estavam muito dentro da Academia e senti que tinha a oportunidade e a obrigação de abrir o leque da divulgação pessoana. Criei o projeto online O Meu Pessoa e os meus artigos chamaram a atenção do investigador e editor pessoano Jerónimo Pizarro, que me abriu ainda mais portas para este mundo. Devo-lhe muito, na minha evolução pessoana.

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Biblioteca da Cruz Vermelha guarda espólio da instituição

Biblioteca da Cruz Vermelha

A biblioteca da Cruz Vermelha situa-se no palácio da Rocha do Conde de Óbidos (junto ao museu de Arte Antiga, em Lisboa), adquirido em 1919 para servir como sede da instituição. Esta biblioteca foi reconstruída com base no salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa. Apresenta um teto com pinturas ornamentais alegóricas às sete artes e um painel central, pintado em 1938 por Gabriel Constante, que reproduz a Paz de Alvalade e no qual figuram a rainha Santa Isabel, o rei D. Dinis e seu filho D. Afonso. Um grande lustre de cristal, fabricado na Marinha Grande, está suspenso no centro desta pintura. A decoração do teto inclui a divisa “Inter Armas Charitas”, adotada em 1887 pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha. A galeria está circundada por uma balaustrada de madeira ao estilo do século XVII. O acervo da biblioteca é constituído por 16 mil títulos. Compreende monografias e publicações nacionais e estrangeiras, com especial incidência em assuntos de cariz humanitário, nomeadamente sobre o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Pode visitar o palácio da Rocha do Conde de Óbidos nas segundas quartas-feiras de cada mês (inicio às 15h00 e a duração aproximada de 60 minutos).

Luís Ferreira apresenta “Diário de Xavier Lopes” no próximo sábado

Luís Ferreira apresenta o seu novo livro – “Diário de Xavier Lopes” – este sábado, 31 de outubro, às 17h00, na biblioteca de Alcochete. O evento contará com um pequeno espetáculo de gaita de foles e violino, antecedendo a apresentação do novo título, que será feita pelo editor, o presidente da Câmara de Alcochete e o autor. “Diário de Xavier Lopes” é publicado pela Capital Books e compila as meditações deste misterioso peregrino do caminho de Santiago de Compostela. As primeiras referências ao seu manuscrito aparecem em “Entre o silêncio das pedras”, romance também assinado por Luís Ferreira. O autor transformou esta lenda num novo título, onde revela pela primeira vez ao mundo, os pensamentos e reflexões deste místico Xavier Lopes.

xaviercartaz

“Já tenho outras aventuras escritas e prontas a irromper”

Catarina Abreu é a autora da série juvenil “Os caçadores de mistérios”, que teve o seu primeiro volume publicado pela Capital Books, em maio. Satisfeita com a receção dos seus leitores, a autora prepara já mais dois volumes desta série, que narrarão as aventuras dos intrépidos jovens que as protagonizam nas cidades de Leiria e Rio Maior.

Catarina Abreu

Publicaste o teu primeiro livro recentemente, como tem sido a reação dos leitores?

Muito boa. Quer miúdos, quer graúdos, todos seguem o enredo com entusiasmo e acham graça às particularidades, humor e curiosidades que surgem no meio da história. Alguns falam-me das personagens como se as tivessem mesmo conhecido e lidado com elas, o que para mim é uma grande satisfação porque significa que são verosímeis e que a história atrai o leitor. Penso que esse é o melhor elogio que um escritor pode ter.

“Os caçadores de mistérios” são destinados a um público juvenil. Porque escolheste escrever para este público?

Prefiro escrever para os mais jovens por duas razões: primeiro porque comecei a escrever aventuras juvenis muito cedo, com 14 ou 15 anos, influenciada pelos muitos livros que então devorava, especialmente da Enid Blyton, e esse bichinho nunca mais me largou; em segundo lugar porque tenho trabalhado com crianças e jovens e estou bastante familiarizada com esse público. Estou constantemente à procura de histórias e atividades interessantes para desenvolver com os meus meninos e as aventuras acabam por me saltar da imaginação como pipocas da panela! Para além desta série de aventuras, também tenho alguns contos destinados aos mais pequeninos, para lerem devagarinho ou pedirem aos pais e irmãos para lhes contarem a história.

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Nova aventura de Harry Potter estreia em teatro de Londres

Harry Potter

A saga de Harry Potter vai ter um novo capítulo: “Harry Potter e o filho amaldiçoado” é uma peça de teatro a estrear em 30 de julho de 2016 e conta a história de um Harry Potter já adulto e do seu filho mais novo, Albus. A autora da série Harry Potter – J. K. Rowling – revelou já os detalhes desta nova aventura de Harry Potter, que estreará no palco do Palace Theatre, em Londres. “É oficial. The Cursed Child será o oitavo capítulo da série Harry Potter”, confirmou a J. K. Rowling, que acrescentou que a produção desta peça será realizada em duas partes distinas, «devido à natureza épica da história e contará com um elenco de mais de 30 atores». O website oficial da produção indica que as duas partes se destinam a ser vistos num mesmo dia – numa matiné e à noite – ou em duas noites consecutivas. Os livros de Rowling já venderam mais de 450 milhões de cópias e foram traduzidos em 78 línguas diferentes, enquanto os filmes inspirados nestes livros arrecadaram mais de 7 mil milhões de dólares.

A livraria de Óbidos que ocupa o espaço de uma antiga igreja

Igreja livraria em Óbidos

A Grande Livraria de Santiago ocupa a antiga igreja de São Tiago, um templo construído pelo rei D. Sancho I, em 1186 e um dos mais emblemáticos de Óbidos, uma vila medieval localizada a 90 quilómetros de Lisboa. Esta igreja era utilizada pela família real portuguesa, quando das suas estadas em Óbidos. Mas o grande terramoto de 1755 arrasou-a completamente e foi reconstruída em 1772, com a sua fachada voltada para a rua direita e a cabeceira encostada às muralhas da vila. Depois de um largo período ao abandono, a igreja foi reconstruída com o propósito de se tornar num moderno espaço literário. Encontra agora na Grande Livraria de Santiago uma enorme variedade de livros, mas aqui também se realizam lançamentos de novos títulos, debates, exposições e até projeções de filmes. Esta livraria está aberta todos os dias da semana, das 10h00 às 19h00 (sextas e sábados até às 21h00).

“Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma”

quem não vê bem uma palavra

Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma.

Fernando Pessoa é um dos mais conhecidos poetas e escritores portugueses. Nasceu em 13 de junho de 1888 (dia de santo António) e faleceu em 1935. Enquanto poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades – os seus heterónimos. Os três heterónimos mais conhecidos (e aqueles que assinaram a maior parte da sua obra poética) foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. “Mensagem”, uma coletânea de poemas sobre grandes personagens históricas portuguesas, foi o único livro (em língua portuguesa) publicado em vida por Fernando Pessoa.