“Quero sentir-me capaz de escrever qualquer coisa”

Raul Minh’alma é o pseudónimo de Pedro Miguel Queirós, um jovem de 23 anos de Marco de Canaveses, com três títulos já publicados. Alternando entre a poesia, ficção, teatro e pequenos textos, o autor tem experimentado vários estilos literários. Mas o romance parece levar a melhor e Raul Minh’alma prepara já uma próxima história.

Raul Minh'alma

Quem é o Raul Minh’alma? Quer contar-nos um pouco da sua história?

Raul Minh’alma é um sonhador realista e um amante fiel ao amor, um amor terreno, imperfeito, pois esse é o único amor verdadeiro e real. Tento sempre passar um pouco ao lado de quem sou e do que fui. Afasto-me, quando escrevo, da minha história e deixo apenas os sentimentos que ela me trouxe. Nunca tive nada dado, sempre tive que trabalhar muito para conseguir pouco. Sempre fui obrigado a crescer sozinho e a crescer mais depressa. Perdi o meu pai com 12 anos e aos 16 andava a trabalhar na construção civil. Uma infância dividida entre a escola e os campos, sem mesadas nem lanches preparados pela mamã. Tive de aprender e crescer muitas vezes sozinho, por minha cabeça, se queria ser alguém. Ainda não sou, mas trabalho para ser. Venho de uma família humilde e isso tornou-me mais preparado para realidade. Hoje sinto-me capaz de ver o mundo e a vida com um ângulo mais alargado.

Mas Raul Minh’alma é um pseudónimo… ou é mais do que isso?

É mais do que isso. Tem muito de heterónimo nesse nome. O Raul trabalha para ser a versão perfeita do Pedro e depois transformar o Pedro, arrastá-lo até si e absorvê-lo. Um processo que leva tempo, muito tempo, mas que ambos anseiam concretizar-se. No entanto os dois complementam-se: o Pedro é mais pensador e o Raul mais sentimental. É uma simbiose interessante. 

Quando começou a escrever? E quando publicou o seu primeiro livro?

Comecei a escrever, poesia, neste caso, durante a parte final do meu ensino secundário. Nessa altura trabalhava à noite, tomando conta de três irmãos. Quando os colocava a dormir, aproveitava o tempo e o silêncio da noite, antes de ir embora, para escrever umas coisas nuns papéis. Nada de importante. Mas os textos começaram-se a avolumar e a ganhar formas mais consistentes. Sugeri um conjunto de poemas a uma editora e editei o meu primeiro livro em 2011, acabava eu de fazer 19 anos: batizei-o de “Desculpe Mãe”.

Já publicou poesia, ficção, uma coletânea de pequenos textos e também escreveu uma peça de teatro. Em qual destes estilos se sente mais à vontade?

Em nenhum. Pelos simples facto de não sentir que saiba escrever bem em nenhum desses estilos. Ainda sou um aprendiz. Ainda tenho muito caminho pela frente, sei-o bem. Quero manter-me versátil em termos da escrita. Quero sentir-me capaz de escrever qualquer coisa. No entanto, quero afunilar a minha arte no romance. E é nesse estilo que me quero sentir mais confortável.

O seu público é maioritariamente feminino, quando escreve, escreve propositadamente para as mulheres?

Um cabeleireiro também corta o cabelo a homens e bem, no entanto os homens preferem ir aos barbeiros porque cabeleireiros é para mulheres. Se eu escrever o amor e se escrever de uma forma romântica, como é a minha forma natural de escrever, o público maioritário será inevitavelmente o feminino. A verdade é que 87% dos meus mais de 23.000 seguidores do Facebook são mulheres e fantásticas, por sinal. E eu sempre escrevi para o público, nunca escrevi, nem nunca hei de escrever para mim, se eu fizesse isso então guardava o que escrevia numa gaveta. Se era para mim, era para mim, certo? Mas eu nunca fui assim. Sempre escrevi para alguém que precisa de ler o que escrevo, não é para os que gostam do que escrevo, é para os que precisam de ler o que escrevo. É diferente. Tento que tudo que escreva seja imparcial e sem tomar partido feminino ou masculino. No entanto, é inevitável pensar no sexo feminino quando escrevo porque é ele que consome as minhas palavras, é ele que me segue.

Está a terminar a sua formação académica, como é que imagina o seu futuro? Escritor profissional é algo que lhe passa pela cabeça ou a escrita será mais um hobby?

Vejo-me como engenheiro. É um grande objetivo para mim, tornar-me engenheiro, porque esse sim, é que me dá garantias. Ser escritor é uma realidade muito bonita, mas ainda muito distante. Não vou forçar nada, nem tomar nenhuma decisão radical. Vou continuar a empenhar-me nas duas frentes, como até aqui e depois o destino lá saberá qual delas ganhará mais força na minha vida. É claro que se me perguntarem se eu queria ganhar a vida a escrever ou a fazer contas… não é difícil de imaginar a minha resposta.

O seu último livro – “Fome” – foi publicado já em 2015. Fome de quê?

Fome de saciar a fome da alma aos leitores desta obra. Este título traduz exatamente o objetivo deste livro, não tem fome, mas pretende saciá-la a quem o lê. De manhã, quando acordamos e precisamos de uma mensagem de motivação, de algo que nos desperte e dê ânimo para enfrentar um novo dia. É um livro com muitas frases motivacionais, conselhos e frases românticas, claro, é um livro com muito amor também. Um livro que tem a ambição de ser um amigo, um conselheiro e ouvinte. É uma obra diferente e sem dúvida que vai tocar o coração de quem ler as suas 500 frases e mudar a forma como as pessoas veem a vida, as coisas, o mundo e as outras pessoas.

Fome

Está a preparar mais algum lançamento para breve? E de que trata?

Ando a cozinhar, há já algum tempo, a minha nova história, irei voltar ao romance, mas neste momento estou concentrado na promoção deste meu novo livro. No entanto, não faltará muito para me aventurar em mais uma história… que já tem final.

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