“Tu gostas de rapazes, não é?”

Filipe Vieira Branco é um jovem autor que, depois da publicação do seu primeiro título – “O dia em que nasci” – prepara agora o lançamento de um livro autobiográfico, onde relata as dificuldades decorrentes da revelação familiar e pública da sua condição homossexual. Esta é, em exclusivo, a pré-publicação das primeiras palavras desse novo livro (ainda sem título), evidenciando já as linhas mestres do que aí vem.

Filipe Vieira Branco

Continuar a ler

“Não há adjetivo para quem perdeu um filho ou uma filha”

Maria Israel escreveu “A redenção de Guadalest”, publicado pela Capital Books em junho. Esta é a história de uma mulher aprisionada num casamento amargurado e que encontra, num espírito que vem do seu passado, a força para caminhar em direção à felicidade. Conversamos com esta autora, para saber sobre o que a motiva a escrever.

Maria Israel

Maria Israel chegou agora ao mundo dos livros. Por onde andou antes?

Por muito lado… mas sempre ligada às artes, primeiro pelos cabelos, profissão que herdei de minha mãe, depois fui escultora em cerâmica, licenciada em história. E, em paralelo, fui professora de cerâmica em várias escolas de Almada, estudei pintura com Mira Sousa Dias, trabalhei e dei aulas de pintura a jovens e idosos, fiz bijuteria com vários materiais. E, simultaneamente, fui escrevendo.

O que a motivou a escrever “A redenção de Guadalest”?

“A redenção de Guadalest” foi escrita para homenagear as mulheres que foram e são vítimas de maus tratos e de violência doméstica. Nas várias profissões que abracei, convivi e conheci muitas mulheres e crianças vítimas desse abominável flagelo. A minha mãe foi vítima de maus tratos, logo eu também fui vítima e sofri as consequências desse mal. Sempre disse que havia de publicar um livro para as homenagear e ele aqui está. Infelizmente e apesar deste livro ter sido escrito há 25 anos, é cada vez mais atual. Se lhe disser que algumas das mulheres que me inspiraram, umas ainda são vítimas e outras são mães de mulheres que hoje são vítimas, não lhe minto… como pode ser isto possível? Tantos governos passaram já e pouco ou nada fizerem para punir os agressores…é lamentável, não acha?

Continuar a ler

“Com atenção, descobrimos todas as caras de um gato”

Joaquim Semeano é o autor de “Todas as caras de um gato”, um novo título que a Capital Books lança em outubro próximo. Trata-se de uma antologia de contos surrealistas, que inevitavelmente recorda os famosos “Contos do gin-tonic” de Mário-Henrique Leiria. Fomos conversar com este autor, que já nasceu apaixonado pelos jornais e que agora assina, com a mesma facilidade, contos, poesia e obras de ficção.

Joaquim Semeano

“Todas as caras de um gato” é uma coletânea de contos surrealistas como, há muito, não se lia. Onde é que o Joaquim Semeano andou estes anos todos?

No jornalismo: 25 anos no jornal Record, como redator e editor de secção, desde que em 1987 concluí o curso de comunicação social na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; a partir de outubro de 2012 passei a jornalista freelancer, publicando em alguns sites na internet e como colaborador na revista Super Interessante.

A sua vocação para escrever nasceu e desenvolveu-se em que circunstâncias?

A vocação, penso, nasceu comigo. Antes de entrar na escola, aos seis anos, já lia jornais. E é desse vício, o da leitura, que nasceu o da escrita. Ainda tenho coisas muito interessantes da minha infância: um jornal, “O Curioso”, escrito à mão; e um folhetim de banda desenhada com heróis curiosíssimos. Vivia numa pequena aldeia do Ribatejo, era um rapaz tímido e com uma imaginação incontrolável. As minhas maiores alegrias eram quando o meu pai me trazia um livrinho de banda desenhada, daqueles com histórias do faroeste ou as aventuras do Tarzan, ou pequenos livros com fábulas, muitos deles da coleção Formiguinha, que hoje só se encontram em alfarrabistas. Por isso, foi muito rápido, fácil e natural, chegar às histórias de ficção. No início da minha adolescência, escrevi sucessivos romances inspirados pelos autores que ia descobrindo, de Júlio Dinis a Eça de Queiroz e Camilo; hoje são histórias ingénuas, mas percebe-se o entusiasmo que tive na altura. Claro que a paixão da escrita apenas aumentou com o passar dos anos: entusiasmei-me com José Saramago e Gabriel Garcia Márquez, fiquei fascinado com Fernando Pessoa. E passei também a escrever poesia. Na escola secundária de Coruche, venci um concurso de poesia e regularmente textos meus eram publicados no “DN Jovem”, um suplemento que o “Diário de Notícias” tinha para os escritos de jovens leitores. Mais tarde, enquanto já frequentava o curso de comunicação social em Lisboa, fundei, com um grupo de amigos, um jornal na minha aldeia, chamado “O Aldeão”. Durou três anos. Entretanto, com a chegada de uma carreira profissional, tornou-se impossível manter o projeto. Mas eu, paralelamente, continuei a escrever ficção, poesia, pequenas histórias, a enviar coisas para concursos e em 2011 tive a compensação, ao vencer o prémio Maria Rosa Colaço, de literatura infantil, com “Era uma vez um nariz”. O livro foi editado em 2013. Simultaneamente, nestes últimos anos, vários contos e poesias meus têm integrado antologias em Portugal e no Brasil. A paixão mantém-se e continua em pleno desenvolvimento.

Continuar a ler

Reeditada a “Peregrinação” em banda desenhada por José Ruy

peregrinação

A Âncora Editora reeditou, em julho, uma das obras mais emblemáticas da banda desenhada portuguesa: “Fernando Mendes Pinto e a sua peregrinação” por José Ruy. Este autor nasceu na Amadora, em 1930. Cursou artes gráficas na escola António Arroio e frequentou habilitação a Belas-Artes. Iniciou-se como desenhador com apenas 14 anos, tendo publicado 79 álbuns, 48 dos quais em banda desenhada, com destaque para este “Fernão Mendes Pinto e a sua peregrinação”, cuja primeira edição data  de 1982. Um clássico da literatura portuguesa, “Peregrinação” foi escrita por Fernão Mendes Pinto (1509-1583), durante os últimos anos da sua vida e enquadra-se na chamada literatura de viagem. Foi publicado pela primeira vez em 1614, pela prensa de Pedro Craesbeeck, 30 anos após a morte do autor e narra as suas aventuras e peripécias na Ásia, na época em que o império português no oriente se consolidava.

“Mulheres de cinza” – novo livro de Mia Couto chega em outubro

Mia Couto

O novo romance do escritor Mia Couto, “Mulheres de cinza”, é lançado em 17 de outubro, pela Editorial Caminho. Este livro é o primeiro de uma trilogia dedicada aos últimos dias do império de Gaza, encabeçado pelo célebre imperador Gungunhana, o leão de Gaza. Os dois volumes que completam esta trilogia serão publicados em 2016 e 2017. O chamado estado ou império de Gaza abrangia toda a área costeira entre os rios Zambeze e Maputo e tinha capital em Manjacaze. Ngungunyane, Gungunhane ou Gungunhana foi o último dos imperadores que governou esta metade sul do atual território de Moçambique. Derrotado em 1895, pelas forças portuguesas comandadas por Mouzinho de Albuquerque, Gungunhana foi deportado para os Açores, onde morreu em 1906. Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique, numa família de emigrantes portugueses e depois de trabalhar como jornalista, iniciou uma carreira literária em 1983, com a publicação de um primeiro livro de poesia. Mia Couto escreveu “A Varanda do Frangipani”, “Uma casa chamada terra”, “O outro pé da sereia”, “Jerusalém” e “A Confissão da leoa”. Foi galardoado com o Prémio Camões em 2013.

Bertrand lança baralho com escritores de língua portuguesa

carta literária

A Livraria Bertrand acaba de lançar um inédito baralho de cartas literárias. Este baralho permite divertir-se com todo o tipo de jogos de cartas e paciências, mas na companhia de escritores de língua portuguesa. São 54 cartas, ilustradas por André Kano, disponíveis numa caixa de cartão e à venda na rede de livrarias Bertrand (7,50 euros). André Kano é um ilustrador natural do Brasil, filho de japoneses, mas a viver em Portugal há 26 anos e que agora realizou as ilustrações que compõem este baralho.

“Gosto de ler de tudo, mas identifico-me com Stephen King”

António Parada iniciou a sua carreira literária em 2014, com o título “A Guardiã”, uma história de ficção científica que decorre em Portugal. Já este ano, lançou “Adão e Eva”, um romance ao melhor estilo do mestre Stephen King. Enquanto prepara o seu novo livro, desta vez com um ambiente épico, fomos conhecer melhor este autor de Sesimbra.

António Parada

Como define o seu livro “Adão e Eva”? Um livro policial, fantástico, de terror, erótico ou outra coisa qualquer?

No fundo, é um pouco disso tudo! Podemos traduzi-lo como uma narrativa algo híbrida, mas que resulta muito bem no seu conjunto, tendo como pano de fundo, em destaque, o mistério e o insólito.

A narrativa deste título decorre na serra do Gerês, porque escolheu este cenário?

O Gerês é fantástico e mágico. Com facilidade, conseguimos imaginar um enredo literário fantasioso a desenrolar-se nesse espaço verdejante e polvilhado de recantos sombrios. Agora essas histórias fantasiosas tanto podem dar azo a narrativas de encantar, verdadeiros contos de fadas ou, pelo contrário, histórias mais insólitas, onde o suspense, o erotismo e o macabro se impõem…

Continuar a ler

Jim Del Monaco: novo álbum comemora 30 anos de aventuras

O cemitério dos elefantes

A editora ASA anunciou o regresso da emblemática personagem Jim Del Monaco para o próximo dia 22 de setembro, com o lançamento de um novo álbum. “O cemitério dos elefantes” celebra o 30º aniversário deste herói, assinado pelo duo Louro & Simões. As novas aventuras de Jim Del Monaco incluem zombies excitados, amazonas a precisar de dieta e uma incursão pelo programa espacial soviético. Jim Del Monaco surgiu na secção Tablóide do Sábado Popular, parte do desaparecido Diário Popular, em outubro de 1985. Pouco tempo depois, a série mudou-se para a revista “O Mosquito”, tornando-se num dos raros heróis da banda desenhada portuguesa.

“Quero sentir-me capaz de escrever qualquer coisa”

Raul Minh’alma é o pseudónimo de Pedro Miguel Queirós, um jovem de 23 anos de Marco de Canaveses, com três títulos já publicados. Alternando entre a poesia, ficção, teatro e pequenos textos, o autor tem experimentado vários estilos literários. Mas o romance parece levar a melhor e Raul Minh’alma prepara já uma próxima história.

Raul Minh'alma

Quem é o Raul Minh’alma? Quer contar-nos um pouco da sua história?

Raul Minh’alma é um sonhador realista e um amante fiel ao amor, um amor terreno, imperfeito, pois esse é o único amor verdadeiro e real. Tento sempre passar um pouco ao lado de quem sou e do que fui. Afasto-me, quando escrevo, da minha história e deixo apenas os sentimentos que ela me trouxe. Nunca tive nada dado, sempre tive que trabalhar muito para conseguir pouco. Sempre fui obrigado a crescer sozinho e a crescer mais depressa. Perdi o meu pai com 12 anos e aos 16 andava a trabalhar na construção civil. Uma infância dividida entre a escola e os campos, sem mesadas nem lanches preparados pela mamã. Tive de aprender e crescer muitas vezes sozinho, por minha cabeça, se queria ser alguém. Ainda não sou, mas trabalho para ser. Venho de uma família humilde e isso tornou-me mais preparado para realidade. Hoje sinto-me capaz de ver o mundo e a vida com um ângulo mais alargado.

Mas Raul Minh’alma é um pseudónimo… ou é mais do que isso?

É mais do que isso. Tem muito de heterónimo nesse nome. O Raul trabalha para ser a versão perfeita do Pedro e depois transformar o Pedro, arrastá-lo até si e absorvê-lo. Um processo que leva tempo, muito tempo, mas que ambos anseiam concretizar-se. No entanto os dois complementam-se: o Pedro é mais pensador e o Raul mais sentimental. É uma simbiose interessante. 

Continuar a ler

“Era preciso agradecer às flores”

poesia sophia mello breyner

Era preciso agradecer às flores.
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.

Escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), a primeira poetisa portuguesa a receber o prémio Camões (o mais importante galardão literário da lusofonia). Sophia era filha de Maria Amélia de Mello Breyner e de João Henrique Andresen. Tem origem dinamarquesa pelo lado paterno, já que o seu bisavô, Jan Heinrich Andresen, desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região. A mãe, Maria Amélia de Mello Breyner, era filha do Tomás de Mello Breyner, conde de Mafra, médico e amigo do rei D. Carlos. Maria Amélia era também neta do conde Henrique de Burnay, um dos homens mais ricos do seu tempo. O corpo de Sophia de Mello Breyner Andresen está depositado no Panteão Nacional, desde 2014.