Como Miguel Cervantes se deslumbrou por Lisboa

Miguel de Cervantes

“Confia no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades”.

Miguel de Cervantes Saavedra (1547–1616) foi um romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, considerada como o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e apontado como um dos melhores romances já escritos. A influência do trabalho de Miguel Cervantes é tão grande, que o castelhano é também conhecido como a língua cervantina. O escritor espanhol viveu durante dois anos em Lisboa, entre 1581 e 1583, acompanhando o rei castelhano (Filipe I de Portugal), que rodeado dos seus cortesões esteve também em Lisboa durante esse período. O austero monarca espanhol trocou aqui a monotonia das suas roupas negras e golas brancas, pelos ricos, coloridos e vistosos tecidos de Lisboa. O ambiente festivo e faustoso de Lisboa encantou então Miguel Cervantes, que descreveu os lisboetas como corteses e apaixonados e terá afirmado “para festas Milão, para amores Lusitânia”.

Fábio Pinto apresenta “Palavras que desejei dizer-te” no domingo

reportagem - Fábio Pinto - geração Arte

Fábio Pinto apresenta o seu novo livro “Palavras que desejei dizer-te” – numa edição da Capital Books – no próximo domingo, 30 de agosto, pelas 16h00, na escola básica de Valença do Douro. “Porque amar desta forma não destrói nem mata, mas consome-me” é o mote desta coletânea poética, de um jovem autor que se exprime através de uma poesia temerária e vigorosa. Uma história de amor desencantado, que provocou uma torrente de sentimentos que Fábio Pinto só redimiu com esta escrita apaixonada.

Fábio Pinto

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”

deus quer o homem sonha a obra nasce

“Mensagem” é uma coletânea de 44 poemas de Fernando Pessoa, publicado em 1 de dezembro 1934 (dia comemorativo da Restauração) e apenas um ano antes da sua morte. Foi contemplado, logo neste ano da sua publicação, com o prémio Antero de Quental, atribuído pelo Secretariado Nacional de Informação, então dirigido por António Ferro. A obra trata do passado glorioso de Portugal, num estilo sebastianista e valorizando os antigos heróis e descobridores portugueses. O poema “O Infante” é um dos mais conhecidos de Fernando Pessoa e tem uma versão musicada por Dulce Pontes.

“É tempo de dar a conhecer o meu diário a mais gente!”

O livro de Xavier Lopes é – em especial para os peregrinos a Santiago de Compostela – uma compilação de sabedoria revelada, mas que durante muitos anos esteve escondido do mundo. Os diários deste místico, citados em obras como “Entre o silêncio das pedras” de Luís Ferreira, nunca conheceram uma edição própria, porque os seus originais completos se julgavam perdidos. Finalmente, os manuscritos de Xavier Lopes chegaram a bom porto e prepara-se agora uma primeira edição. Através de mão amiga, chegamos à fala com este sábio do caminho, aqui pela primeira vez exposto ao público.

Xavier Lopes

Quem é Xavier Lopes? Por onde tem andado nestes últimos anos?

Caro amigo, nem eu sei quem sou. Depois de me sentir aglutinado pelo destino, preso em mim mesmo, de alma vazia, decidi abraçar o mundo. Pois não há outra forma de existir, do que a procurar a verdadeira identidade. Por isso parti e tenho andado por ai, por aqui… Tantas são as vezes em que vagueio sem destino certo, perfeito andarilho de um caminho pintado com as cores do arco-íris. Libertei-me do tempo e de tudo que me prendia ao passado e com as mãos cheias de nada, transporto apenas um sorriso tímido e ganhei asas para partir livremente, até onde os meus passos me guiarem. 

O livro de Xavier Lopes, que se julgava perdido para sempre, foi finalmente reencontrado. Afinal, o que o compõe?

Estará a falar do meu diário, dos meus manuscritos? Quando parti de casa, há muito tempo, decidi ir até Santiago de Compostela. Ao longo do caminho, fui escrevendo o que via, o que lia, o que ouvia… frases soltas, pensamentos, reflexões que deixei anotadas no meu velho caderno. Uma das coisas que aprendi nessa jornada, foi a partilha. Quando contribuímos para a felicidade de alguém, somos nós os felizes. Um dia decidi entregar o meu caderno a outro peregrino, porque ele precisava de fazer uma viagem ao interior da sua alma. Tantas vezes, precisamos apenas que nos ajudem a dar o primeiro passo. Confesso que perdi o rasto desse meu diário… até que um dia o descobri num albergue, gasto pelo uso, mas encadernado em couro castanho. Soube mais tarde, doado por um peregrino de nome Pedro Marques. Voltei a agarrar neste meu velho companheiro de viagem, que o destino fez regressar às minhas mãos, mas… se as minhas palavras e apontamentos tiveram o dom de ajudar alguém, então devem continuar a sua missão. Existe sempre uma história para lá da própria história…

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Ler Devagar: a livraria que nasceu numa antiga gráfica

Ler Devagar

Ler Devagar é uma das mais bonitas livrarias do mundo, de acordo com publicações tão insuspeitas como o The New York Times e até já serviu como cenário para campanhas publicitárias de marcas internacionais. Nesta livraria, localizada na rua central da Lx Factory, em Alcântara (Lisboa), destacam-se as gigantescas prateleiras preenchidas com livros do chão até o teto, a escultura de uma bicicleta a flutuar de frente para a porta de entrada e uma enorme rotativa de três andares, que imprimia os jornais de antigamente. Além de muitos livros, com ênfase em títulos relacionados com arte e criatividade, a Ler Devagar é ainda palco para concertos, tertúlias, debates, teatro, dança e música. Esta livraria dispõe também de uma simpática cafetaria, dividida pelos seus dois pisos.

“Escrevo para me sentir viva”

Paula Duarte é a autora de dois romances, o último deles – “Sem pecado” – publicado pela Capital Books, no final de 2014. É uma história forte, que expõe a chaga da prostituição e subverte convenções sociais: as personagens de boas famílias são as perversas e as personagens de origens humildes são as generosas e de bom fundo…

paula duarte

Quem é a mulher que se esconde por detrás da autora?

Nada se esconde por detrás da Paula Duarte, apenas se omitem dois nomes que completam os quatro com que nasci. Sou tal e qual como escrevo: simples, direta, objetiva quando a situação o exige e observadora de personagens, que ganham depois vida nos meus romances. E humana, quando o sentimento se escreve em poesia.

De onde é que vem essa necessidade tão grande de escrever?

Não vem de lado nenhum, nasceu comigo. O papel sempre foi um fiel amigo. Nunca tive diários cheios de corações e cores, mas desde muito nova que tenho cadernos baratos, onde me sinto bem quando despejo lágrimas, sorrisos, raiva e sempre muitas letras que correm no meu sangue. É essa a necessidade que sinto, não congelar as minhas veias. Tenho necessidade de escrever para me sentir viva. Nunca deixo algo a meio e, enquanto houver um livro para acabar, tenho uma razão para viver.

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“Pedaços de mim” é o próximo lançamento da Capital Books

Pedaços de Mim

“Pedaços de mim”, da autora Sue Amado, é o próximo título da Capital Books. Com lançamento agendado para setembro, trata-se de um romance que tem como mote uma paixão irrevogável, invocando os mistérios da reencarnação. Num estilo biográfico, Sue Amado recorda a sua infância na Guiné portuguesa, terra repleta de tradições mágicas, para completar a narrativa já depois do seu regresso a Portugal. É aqui que a narradora (re)conhece o capitão Nunes, que a arrebata num amor intenso e único. Os dois envolvem-se num romance impetuoso, sem pudores e que devolve à autora a capacidade de se apaixonar. “Pedaços de mim” é uma novela sobre os desígnios do amor e da paixão, pontilhada de histórias da presença portuguesa na Guiné-Bissau.

Primeiro romance de Morrissey chegas às livrarias em setembro

Morrissey

O primeiro romance do cantor Morrissey vai ser publicado já no próximo mês de setembro. Não é o primeiro livro assinado pelo ex-vocalista dos The Smiths, porque Morrissey publicou a sua autobiografia em outubro de 2013, mas será o seu primeiro título de ficção. List of the Lost será publicado pela editora inglesa Penguin Books, em versões de capa dura e mole e estará disponível, inicialmente, apenas no Reino Unido, Irlanda, Austrália, Índia, Nova Zelândia e África do Sul.

O livro mais triste de Portugal

Só

“Só”, livro que reúne poemas de António Nobre, foi publicado em 1892 e é o livro mais triste que há em Portugal, segundo o seu próprio autor. António Nobre (1867–1900) foi um poeta português, que se enquadrou nas correntes ultra-românticas e simbólicas, próprias do final do século XIX. “Só” é uma coletânea poética marcada pela lamentação e nostalgia, ainda que suavizada pela presença de um fio de auto-ironia. António Nobre faleceu com 32 anos, após uma luta prolongada contra uma tuberculose pulmonar. Dá nome ao jardim do miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa.

García Lorca: o poeta fuzilado pelos fascistas espanhóis

Garcia Lorca

“Há coisas encerradas dentro dos muros que, se saíssem de repente para a rua e gritassem, encheriam o mundo”.

Federico García Lorca (1898-1936) foi um notável poeta e dramaturgo espanhol e uma das primeiras vítimas da guerra civil espanhola. Nasceu na Andaluzia e estudou na faculdade de Direito de Granada. Mudou-se, em 1928, para Madrid onde conviveu com Salvador Dalí e Luis Buñuel. Para além da poesia, dedicou-se à pintura e à música (exímio pianista). Viveu ainda nos Estados Unidos da América e em Cuba, antes de retornar a Espanha, onde criou o grupo teatral La Barraca. Aqui, as suas posições socialistas e republicanas e o facto de ser homossexual assumido, trouxeram-lhe crescentes dissabores. As suas primeiras composições poéticas inspiraram-se na música e folclore andaluzes, bem como na comunidade cigana desta região. A passagem pelos EUA produziu-lhe um horror pela civilização mecanizada, que denunciou em “Poeta em Nova Iorque”, publicado postumamente. No dia 19 de agosto de 1936, García Lorca foi fuzilado à queima-roupa por fascistas espanhóis, numa estrada nas proximidades de Granada. Morreu aos 38 anos e os seus restos mortais nunca foram encontrados.